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Campo Grande, 21 de outubro de 2026

Nascem primeiros bebês com DNA de três pais

  • HFEA e The Guardian (1) e (2)
  • 10 de maio, 2023
  • Geral
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No Reino Unido, crianças já nasceram a partir de técnica que uso o DNA de três indivíduos diferentes. Procedimento reduz risco de doença genética

No Reino Unido, já nascem as primeiras crianças que foram criadas a partir do DNA de três pessoas, o que subverte a lógica da maioria dos nascimentos. Embora a técnica seja bastante polêmica, o bebê não é considerado, pelo menos geneticamente, “filho de três pais”. Acontece que mais de 99,8% do material genético do pequeno provém da mãe e do pai originais, e cerca de 1% é do terceiro doador.

Foto: Christening/Envato / Canaltech

O uso de material genético de três pessoas para a geração de um bebê é uma técnica ainda em desenvolvimento e, por enquanto, as autoridades de saúde britânicas — as primeiras a aprovarem oficialmente a modalidade no mundo — não informam o número exato, alegando questões de privacidade envolvendo a identidade das crianças.

Quantos bebês já nasceram a partir do DNA de três pais?
Sabe-se que, no Reino Unido, menos de cinco bebês vieram ao mundo dessa forma, segundo a Autoridade de Fertilização Humana e Embriologia (HFEA). Fora da jurisdição britânica, o primeiro registro de um bebê derivado do material genético de três pessoas é de 2016, quando pais da Jordânia recorrem a uma equipe médica nos Estados Unidos e tiveram a criança no México. Não há informações atualizadas sobre as condições de saúde da criança.

Por que usar método que mistura diferentes DNAs para gerar bebês?
Aqui, é preciso pontuar: a técnica não surgiu a partir de uma vontade banal das equipes médicas e de cientistas. Na verdade, este é um procedimento inovador de fertilização in vitro que visa impedir que as crianças herdem doenças mitocondriais incuráveis (e genéticas) de suas mães. Oficialmente, o procedimento é conhecido como tratamento de doação mitocondrial (TDM).

Basicamente, o procedimento usa o tecido de óvulos de doadoras saudáveis para criar embriões de fertilização in vitro. Como a mulher que dou não tem nenhuma doença genética previamente conhecida, os tecidos estarão livres de mutações nocivas, reduzindo a algo próximo de zero o risco de transmissão dessa condição — independente de qual for — da mãe verdadeira para os descendentes.

De forma bastante resumida, o material genético nuclear da mãe é removido dos óvulos e transferido para óvulos doados, sem o material genético nuclear (removido em laboratório). Em seguida, os óvulos modificados são fertilizados com esperma para criar embriões e, posteriormente, vão se desenvolver.

Sem o auxílio da técnica, a concepção natural pode ter resultados imprevisíveis. Em outras palavras, ela pode gerar filhos saudáveis que herdam uma pequena quantidade de mitocôndrias mutantes ou provocar doenças graves e potencialmente fatais nas crianças, relacionados com os distúrbios mitocondriais. O problema não envolve nenhuma questão de fertilidade.

É seguro criar crianças a partir de três DNAs diferentes?
No momento, a técnica é considerada em desenvolvimento. “Até agora, a experiência clínica com TDM tem sido encorajadora, mas o número de casos relatados é muito pequeno para tirar conclusões definitivas sobre segurança ou eficácia”, explica Dagan Wells, professor de genética reprodutiva da Universidade de Oxford, para o jornal The Guardian. “O acompanhamento a longo prazo das crianças nascidas é essencial”, acrescenta.

O doador pode ter algum direito sobre a criança?
Diante dessa novidade reprodutiva, é válido se questionar se a doadora do material genético — e que não faz parte do casal que optou por gerar a criança — tem algum direito legal sobre o bebê. Segundo a HFEA, esta pessoa “não será a mãe genética da criança resultante”.

“Isso ocorre porque as mitocôndrias que elas fornecem representam menos de 1% da genética da criança. Por esse motivo, eles não terão nenhum direito ou responsabilidade legal sobre a criança e permanecerão anônimos (ou seja, a criança não poderá solicitar informações de identificação sobre ela quando tiver 18 anos)”, detalha a entidade britânica.

Após os 16 anos, o adolescente pode ser informado sobre algumas informações referentes ao processo, como uma descrição do doador, mas a identidade dessa mulher deverá permanecer protegida.

Vale pontuar que, em outros países, os desdobramentos podem ser outros, dependendo do entendimento legal sobre a questão. No entanto, este é ainda um cenário distante, considerando que poucos casos do tipo já foram registrados e a técnica ainda está em fase de aperfeiçoamento.

 

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