Marquinhos Trad deixou de investir mais de R$ 880 milhões na Saúde

Recursos são suficientes para a construção do Hospital Municipal e para por fim ao caos no setor

O ex-prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad deixou de investir mais de R$ 880 milhões na Saúde desde o início de seu primeiro mandato, em 2015. Os dados constam do histórico dos últimos 7 anos da Lei Orçamentária Anual do município e têm como parâmetro a exigência constitucional de investimento mínimo de 15% do orçamento no setor. O Ministério da Fazenda poderá impor sanções ao município em função desse desarranjo.

Com os recursos que o ex-prefeito Marquinhos Trad deixou de investir é possível construir o Hospital Municipal

A Constituição estabelece no artigo 7º que os municípios e o Distrito Federal aplicarão anualmente em ações e serviços públicos de saúde, no mínimo, 15% da arrecadação dos impostos. Analisando os dados constantes da Lei Orçamentária Anual (LOA), é possível verificar que ao longo dos últimos 7 anos o ex-prefeito Marquinhos Trad deixou de aplicar R$ 880 milhões na Saúde.

Esse descaso, aliado à falta de uma política efetiva para o setor, acaba por justificar o porque de a Saúde pública em Campo Grande ser uma das piores em nível regional.

Veja os números

Hospital Municipal

Na segunda-feira passada, dia 4, foi realizada na Câmara Municipal audiência pública para tratar da construção do Hospital Municipal de Campo Grande.

Ao final do encontro, os avanços a respeito da questão foram pífios, concluindo-se que a prefeitura só terá condições de construir o referido complexo hospitalar se contar com a ajuda financeira do governo do Estado e da União, argumento que não deve ser levado a sério.

Construção do Hospital Municipal foi tema de audiência pública na Câmara de Vereadores (Izaias Medeiros)

Economia futura

Com o total de recursos do município que o ex-prefeito Marquinhos Trad deixou de investir ao longo dos sete anos de sua gestão, é possível não apenas construir o Hospital Municipal, inclusive equipando-o, mas também manter o pagamento às unidades hospitalares credenciadas que hoje vendem serviços à prefeitura até que a nova unidade entre em operação.

Uma vez construído o Hospital Municipal, a prefeitura deixará de arcar com os elevados custos mensais com a compra de serviços na rede conveniada, como a Santa Casa, Hospital do Pênfigo e Hospital Alfredo Abrão, dentre outros.

Para se ter uma ideia do tamanho da economia, apenas para a Santa Casa a prefeitura paga mais de R$ 20 milhões ao mês para comprar leitos e serviços.

Isso sem falar na compra de exames laboratoriais na rede privada, custo que aumentou após o ex-prefeito Marquinhos Trad encerrar as atividades do Laboratório Central.

Serviços próprios

Com o Hospital Municipal em funcionamento e estruturado – que na realidade é denominado Complexo Econômico Industrial em Saúde (CEIS) –, o município teria serviços próprios em várias áreas. Conheça alguns deles:

– Radiologia e Imagenologia.

– Central de Laudos Radiológicos 24 horas por dia.

– Realizaria exames solicitados nas UBS’s e CRS’s, rompendo com a compra de serviços privados de Radiologia e Ultrassonografia.

– Hemodiálise.

– Hemodinâmica.

– Cirurgia Geral.

– Central Municipal de Esterilização e lavanderia.

– Farmácia Municipal de Manipulação.

– Central Municipal de Engenharia Clínica e de Manutenção de Equipamentos Médico Hospitalares.

– Cozinha Industrial.

Hoje, a prefeitura gasta recursos para ter acesso a todos esses serviços, remunerando empresas privadas com dinheiro público.

PPA 2022/2025

Chama a atenção o fato de que a construção do Hospital Municipal passou a ser obrigação estabelecida no Plano Plurianual 2022/2025, aprovado no ano passado.

Não há como a prefeita Adriane Lopes fugir disso, sob pena de incorrer em crime de responsabilidade se não der início ao projeto. Dinheiro, não falta. Falta é competência na gestão desses recursos.

Em Campo Grande residem hoje cerca de 1 milhão de pessoas, mas mesmo assim não dispõe de um único leito hospitalar próprio. Naviraí, com 53 mil almas vivendo em seu território, possui hospital próprio há 32 anos. E funciona.

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