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Campo Grande, 19 de agosto de 2026

Lugar de mulher é na indústria: motorista personalizou betoneira onde trabalha

  • 2 de março, 2022
  • Cidades, Coluna 2, Geral
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Para começar o mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, o Sistema Fiems foi atrás de mulheres que fazem a diferença na indústria. Uma deles é Lidiane da Silva, que dirige pelas ruas de Campo Grande uma betoneira rosa-choque. Aliás, betoneira não, “batoneira” – apelido carinhoso.

Lidiane tem 43 anos e é motorista profissional com habilitação categoria “D” para conduzir caminhões, tratores e outros veículos. Há cinco meses trabalha na Concreteira Brahmix, atendendo canteiros de obras com concreto pronto na capital sul-mato-grossense. Ela conta que a paixão por caminhões vem desde a infância, por influência da família. “Meu pai é motorista e eu fui criada praticamente dentro da cabine do caminhão. Sempre que podia eu estava na estrada com meu pai e toda vez que podia eu pegava o caminhão. Acho que daí que surgiu todo esse amor que eu tenho”.

Apesar de Lidiane ter conquistado por méritos próprios seu espaço, não são raras as vezes que enfrenta desconfiança, preconceito e machismo em um universo tão masculino. Mulheres representam apenas 0,5% do total de caminhoneiros do país, segundo estimativa da CNT (Confederação Nacional do Transporte). “Já escutei muitos questionamentos, como ‘seu lugar não é esse’, ‘o que você está fazendo aqui?’. Alguns param para ver se eu vou conseguir estacionar o caminhão, se vou conseguir colocar na posição certa. Os que estão mais próximos de mim são os que mais criticam. Mas como eu gosto dessa profissão e é algo que vem do coração, então eu sigo em frente”.

Lidiane não se intimida com os olhares atravessados e exerce a profissão com orgulho. Os colegas de trabalho e o patrão reconhecem a competência dela na função, algo que a faz se sentir acolhida na empresa. “Ela é bastante dedicada, a gente percebe que o acabamento do trabalho é mais caprichoso”, conta o diretor da empresa, Paulo Honório.

Foi ele quem teve a ideia de personalizar o caminhão com a pintura rosa-choque, após procurar por quase dois anos uma motorista para ocupar a cabine. A propósito, também foi Paulo Honório quem apelidou o veículo de batoneira. “Todo mundo pode ter um caminhão rosa, mas só nós temos a ‘batoneira’”, diz o diretor.

Quando convidada a refletir sobre o papel da mulher no mundo do trabalho, Lidiane é taxativa: “Lugar de mulher é onde ela quiser. O céu é o limite”. Ela aproveita a data para deixar uma mensagem de empoderamento a todas as mulheres. “Não deixem ninguém te segurar. Vá em frente, mesmo que você escute inúmeros nãos. Vá em frente, siga o seu sonho, procure os seus objetivos, não olhe para trás, porque se você olhar para trás, você volta. Um passo de cada vez. Você consegue”, finaliza.

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