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Campo Grande, 22 de setembro de 2026

Delcídio cita André Puccinelli e Giroto em sua delação

  • 15 de março, 2016
  • Destaque
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O senador Delcídio do Amaral (PT) expõe suposto esquema de arrecadação de dinheiro federal para campanhas políticas em Mato Grosso do Sul, que teria funcionado com participação do ex-governador André Puccinelli (PMDB) e do ex-deputado federal pelo PR e ex-secretário de Obras do Estado, Edson Giroto. As declarações estão em um dos anexos das 254 páginas da delação premiada, homologada nesta terça-feira (15) pelo ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal).

O material deve ser encaminhado para investigação pelos órgãos competentes, e chega a citar a operação Lama Asfáltica, deflagrada em julho de 2015 pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e Controladoria-Geral da União. Segundo o relato homologado, as investigações estariam enfrentado ‘dificuldades em avançar’ e somente atingiriam uma parte do suposto esquema de corrupção.

Na delação, Delcídio afirma ter conhecimento das operações ilegais por meio do próprio Giroto. Segundo o senador, o então Ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, que coordenou os principais projetos nas áreas de rodovias, ferrovias e postos no país, usava a posição para articular investimentos com os governadores e manter a bancada do PR unida.

Delcídio afirmou ter conhecimento de um “jogo combinado” entre Alfredo, Puccinelli e Giroto, no qual foi realizado um “acordo ilícito” a fim de promover a descentralização de todos os investimentos federais no Estado, facilitando a arrecadação de propinas.

Giroto, segundo o senador, foi quem ficou responsável pela operacionalização desta descentralização de investimentos, sendo que a propina arrecadada era repassada ao PR e ao PMDB, através de Alfredo.

Na delação, conta que essa manobra irrigou as campanhas eleitorais do PR e do PMDB no Estado e do PR nacional. O senador cita a Operação Lama Asfáltica e afirma que somente alguns pontos foram descobertos, mas que já foi “grande o suficiente” para que o Ministério Público e a Polícia Federal iniciassem as investigações que, “aparentemente, vêm enfrentando dificuldades em avançar as investigações”.

Outro político citado na delação é o deputado federal Zeca do PT. Delcídio afirma que Zeca e Cerveró se conheceram por conta do Gasoduto Brasil-Bolívia, que passa pelo Mato Grosso do Sul, e tinha proximidade com Lula e que Zeca foi o responsável por reunir a bancada avalizou o nome de Nestor.

Somente em 2012, quando mudou-se para o PMDB para disputar e perder o cargo de prefeito de Campo Grande, Edson Giroto arrecadou R$ 7.667.903,84, valor bem acima do arrecadado por Nelsinho Trad em 2014, quando disputou o governo pelo PMDB e reuniu R$ 5.265.374,00 em doações.

Em 2010, André Puccinelli recebeu R$ 7.444.478,10 em doações para sua campanha ao governo e Edson Giroto R$ 3.029.400,00 para disputar o cargo de deputado federal. Ambos tiveram as campanhas mais caras daquele ano. O ex-governador André Puccinelli e o ex-secretário especial do Ministério dos Transportes, Edson Giroto, foram procurados para comentar os trechos da delação em que são citados, mas não atenderam as ligações da reportagem para comentar o assunto. (Evelin Araujo/Midiamax)

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