Atividade sem controle e regulação preocupa lideranças políticas, universidades e organismos ambientais e científicos.

Ao levantar sua voz de advertência sobre as atividades econômicas que, sem controle ou regulação, tornam-se ameaças ao meio ambiente, o deputado estadual Paulo Duarte (PSDB) recomenda serenidade no debate para evitar atitudes ou discursos equivocados, para que as soluções sejam encontradas com a sensatez e a urgência necessárias.
Esta ressalva é feita por Paulo Duarte ao denunciar os desastres ambientais que acontecem no Pantanal e outras regiões como consequência de práticas ou atividades comerciais desprovidas de cuidados preventivos e planejamento, como no recente naufrágio de uma barcaça no Rio Paraguai com uma tonelada de minério de ferro.
Lideranças políticas sul-mato-grossenses com assento no Congresso Nacional, cientistas, pesquisadores, ambientalistas, empreendedores, técnicos, indígenas, dirigentes públicos e privados endossam o olhar do parlamentar corumbaense.
Alguns já se manifestaram, inclusive fazendo pronunciamentos na Câmara dos Deputados – como os deputados Vander Loubet e Camila jara, do PT – ou em entrevistas e publicações nas mídias sociais e imprensa.
“Trata-se de um debate delicado, pois envolve a sustentabilidade e o desenvolvimento. A radicalização de ambas as partes ideológicas, seja à direita ou à esquerda, dificulta a solução. Afinal, são duas situações que não seriam antagônicas se fossem tratadas sem a politização, com bom-senso e objetividade”, argumenta Duarte.
“Se todo mundo quer preservação do meio ambiente, se é possível explorar recursos naturais sem desfigurar os ecossistemas, se é necessário criar opções de emprego e renda, se o desenvolvimento sustentável tem segurança científica, precisamos então unir os discursos, as consciências, já que há pontos em comum neste debate”, reforça.

Reguladoras anestesiadas
O deputado faz duras críticas à falta de efetividade nos sistemas de planejamento e controle das empresas de mineração que operam sem os procedimentos e cuidados pré-estabelecidos para prevenir os impactos ambientais desastrosos. Ataca também as agências reguladoras: “Parece que estão anestesiadas, não regulam o que deveriam regular. E isto não é algo casual ou incompetência, parece proposital”, afirma. Ele acionou o Ministério Público de Mato Grosso do Sul para investigar a mineradora LHG Mining (do Grupo J&F).
Duarte cita o impacto de cargas pesadas no leito do Rio Paraguai e questiona a segurança na cadeia de transporte do minério, os efeitos do pó mineral que sai dos caminhões nas proximidades de casas e escolas e a qualidade da água fornecida à população, já com trechos contaminados.
“Corumbá e Ladário estão pedindo socorro. Não podemos aceitar um boom econômico às custas do meio ambiente e da qualidade de vida das comunidades”, exclama.
Responsabilidade
“A mineração é uma atividade importante para a nossa região, mas precisa ser conduzida com responsabilidade, transparência e fiscalização. Dois episódios em menos de 72 horas acendem um alerta que não pode ser ignorado”, observa Duarte. A LHG explora as abundantes reservas de manganês e minério de ferro na região de Corumbá e Ladário, cidades do Pantanal.
A produção de minério em Corumbá saltou de 3,5 milhões de toneladas em 2022 para 12 a 16 milhões de toneladas em 202-26).
Duarte estranha também a discrepância entre o volume produzido e os valores apurados no recolhimento do imposto do setor – a CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral).
A produção subiu, mas a receita oriunda do imposto pago ao município vem diminuindo e já caiu de R$ 40 milhões em 2022 para pouco mais de R$ 21 milhões em 2025. “A conta não fecha. Corumbá precisa saber o que está havendo. Os recursos são fundamentais para investimentos em saúde, educação e infraestrutura”, protesta.
Falta de cuidado
Segundo a NSTech, a maior empresa de softwares para supply chain (cadeia de suprimentos) e logística da América Latina, poucos setores exigem tanta robustez e responsabilidade da logística quanto a mineração.
Estradas não pavimentadas, terrenos irregulares, distâncias extensas, cargas de grande porte e alto impacto operacional fazem parte da rotina.
“No Brasil, país em que a atividade mineral tem forte relevância econômica, a eficiência no transporte influencia diretamente na produtividade, segurança e competitividade desse setor. Quando a logística falha, o prejuízo é imediato: paralisação de operações, riscos ao meio ambiente e aumento expressivo de custos. Por isso, a gestão de transporte pesado na mineração precisa ser estratégica, tecnológica e rigorosamente planejada”, pontua a empresa.









