Senador não foi localizado para entregar documentos e governo argentino nega registro de sua entrada no país.

A Polícia Federal cancelou nesta terça-feira (27) os passaportes comum e diplomático do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) depois que ele não entregou os documentos no prazo de 24 horas determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. O prazo venceu às 11h, e a corporação vai comunicar ao ministro o descumprimento da ordem judicial.
A PF também investiga se Flávio deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina, com suposto destino aos Estados Unidos. Até agora, porém, não há confirmação oficial de que ele tenha saído do país ou entrado na Argentina.
Quando surgiu o sumiço
Flávio Bolsonaro foi intimado pela PF na segunda-feira (26/10), por volta das 11h, para entregar os passaportes em até 24 horas. A determinação foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes no âmbito de um inquérito que investiga suspeita de lavagem de dinheiro e que também alcança o advogado Willer Tomaz, amigo do senador.
A ordem também proíbe o parlamentar de deixar o Brasil e de manter contato com Tomaz. Na segunda-feira, Flávio publicou um vídeo em que afirmou que nunca pensou em deixar o país e que cumpriria a decisão de entregar os documentos.
Nesta terça, porém, os advogados informaram que não conseguiram localizá-lo para cumprir a intimação. A PF constatou o descumprimento e cancelou oficialmente os passaportes, além de acionar o Itamaraty para inserir alerta no sistema internacional de documentos cancelados.

Versões para o desaparecimento
A suspeita de fuga começou a circular na madrugada desta terça, quando o portal argentino Infobae publicou que Flávio teria atravessado a fronteira Brasil-Argentina usando a carteira de identidade e seguido até Puerto Iguazú, na província de Misiones. Segundo a versão, ele embarcaria em um jato particular Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, com destino aos Estados Unidos.
O jornal argentino La Nación informou que o voo estava programado para as 2h, com quatro passageiros, mas teria sido cancelado porque um dos passageiros não chegou. A TV argentina Todo Noticias chegou a afirmar que Flávio teria entrado no país a pé entre 21h e 22h de segunda-feira, mas essa informação não foi confirmada pelas autoridades.
A PF apurou que o senador não passou por nenhum ponto regular de migração brasileira nas últimas horas. A corporação passou, então, a checar com autoridades argentinas se houve alguma entrada não registrada ou rota alternativa.
O que as autoridades negam
O Departamento de Migrações da Argentina e a Presidência do país afirmaram que não há registro de entrada de Flávio Bolsonaro na Argentina. O porta-voz do presidente Javier Milei também negou que o senador tenha ingressado no território argentino.
As autoridades argentinas informaram ainda que, após a repercussão sobre uma aeronave particular em Foz do Iguaçu, iniciaram fiscalização do avião e da tripulação. Segundo o órgão, a documentação da empresa estava regular e não foi apresentado plano de voo que incluísse a família Bolsonaro.
O porta-voz do governo Milei também negou que Flávio tenha pedido asilo político ao país.
Aliados dizem não ter contato
O coordenador-geral da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), negou que o parlamentar tenha deixado o Brasil. “Não saiu”, declarou ao Metrópoles.
Apesar da negativa, aliados do senador relataram à imprensa que não conseguiram contato com ele durante a manhã desta terça. O paradeiro de Flávio permanece publicamente desconhecido, e nenhuma autoridade confirmou onde ele estaria.
O que está confirmado
Até o fechamento desta matéria, estão confirmados os seguintes fatos: Flávio foi intimado a entregar os passaportes até as 11h; não entregou os documentos; a PF cancelou os passaportes; e a corporação investiga a suposta saída do Brasil.
Não há confirmação oficial de fuga, de entrada na Argentina, de embarque para os Estados Unidos ou de pedido de asilo. As informações sobre a travessia pela fronteira e sobre o voo particular seguem como versões divulgadas pela imprensa argentina e ainda sob apuração.







