Prefeita surfa no caos, escapa de CPI e afunda mais a prefeitura com empréstimo de quase meio milhão.
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Outubro de 2026: num único mês a gestão de Adriane Lopes (PP) conseguiu multiplicar seu estoque de desacertos como chefe do principal poder político e administrativo de Campo Grande. Casos que cheiram de quase tudo – incluindo manifestas incompetências, flagrantes omissões e suspeitas de negligência ou coisa pior no uso de verbas públicas – foram constatados tecnicamente e com ampla divulgação na imprensa.
Na semana passada, enquanto pipocava o escândalo das revelações da auditoria sobre o uso de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) no abastecimento da frota do Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência), a prefeita conseguiu na Câmara Municipal uma vitória para si e uma derrota para o município: a autorização para contratar empréstimo de até R$ 476,7 milhões na Caixa Econômica Federal (CEF).

Por pouco ela não conseguiu barrar um pedido para instalação da aguardada CPI do Tapa-Buracos, que pode esclarecer graves denúncias na contratação de empreiteiras e no desembolso de dinheiro público para serviços de manutenção urbana.
A signatária do pedido, vereadora Luiza Ribeiro (PT), após muito esforço obteve as 10 assinaturas para protocolar o requerimento. Democrático e republicano, mesmo na base governista, o presidente da Câmara, Epaminondas Papy (PSDB), garantiu que fará a proposta tramitar normalmente.
Além de Luiza Ribeiro, assinaram a proposta da CPI os vereadores Jean Ferreira (PT), Landmark Rios (PT), Marquinhos Trad (PV), Maicon Nogueira (PP), Flávio Cabo Almi (PSDB). André Salineiro (PL), Ana Portela (PL), Veterinário Francisco (União Brasil) e Ronilço Guerreiro (Podemos).
Segundo Maicon, o empréstimo para obras de pavimentação e drenagem é um risco, porque afundará mais a prefeitura em dívidas e há dúvidas sobre a qualidade dos serviços, diante da fortuna que já foi gasta com manutenção e os buracos seguem engolindo a cidade.
A CPI vai apurar contratos, medições, pagamentos e a qualidade dos serviços de tapa-buracos na capital, que somaram R$ 113,7 milhões entre 2018 e 2025, em meio a reclamações sobre a deterioração da malha viária e a redução do orçamento da área, que passou de R$ 132 milhões em 2025 para cerca de R$ 40 milhões em 2026.

Consumo escandaloso
Se os serviços públicos de saúde estivessem sendo prestados com qualidade, tendo remédios nos postos e a população satisfeita, ninguém estranharia os números apurados por uma auditoria que levantou desembolsos da prefeitura e seu uso na compra de combustíveis para a frota do sistema.
Todavia, com o sistema em estado caótico, foi inevitável não se espantar com o volume absurdo de consumo dos veículos sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde, cujo titular é o médico Marcelo Vilela.
Para fazer uma ideia sobre a dimensão do absurdo: de acordo com o que apurou o Conselho Municipal de Saúde, só uma motocicleta de 250 cilindradas teria percorrido, entre dois abastecimentos, 94,1 milhões de quilômetros. É quase 245 vezes a distância da Terra à Lua.
O Conselho identificou inconsistências nos hodômetros de veículos abastecidos por meio de contrato com a Taurus Card (S.H. Informática), responsável pelo gerenciamento dos repasses.
A fiscalização constatou que cerca de R$ 400 mil foram gastos com o abastecimento de cinco veículos classificados como “inservíveis” (já haviam sido retirados de circulação e estavam destinados a leilão).
Três ambulâncias que eram originalmente cadastradas para rodar com Diesel S-10 registraram sucessivos abastecimentos com gasolina comum em intervalos de apenas dez minutos. As distorções foram encontradas na análise de 28.008 transações de abastecimento de uma frota de 428 veículos, inseridas em um contrato global que soma R$ 21,8 milhões







