A gestão supracósmica de Adriane
Os indignados moradores de Campo Grande perderam de vez o que tinham de paciência com a prefeita Adriane Lopes. Para não criar melindres, recomenda-se neste editorial evitar (sempre que possível) o uso da palavra “corrupção”. Mas há outras expressões impossíveis de evitar. Por exemplo: desgoverno, desmando, caos, inaptidão, bizarrice, besteirol, desperdício, irresponsabilidade e por aí afora. Para contrariar, adotemos esta: desmazelo. É mais suave.
Pois bem: uma sucessão de desmazelos, alguns inconcebíveis, estão acontecendo com o dinheiro do contribuinte utilizado pela prefeita na saúde municipal. Para elencar, vamos a fatos anteriores ao que será comentado aqui. Segundo o Conselho Municipal de Saúde, R$ 156,8 milhões que eram exclusivos para uso do colegiado tomaram um rumo diferente e até hoje não foi dada justificativa plausível sobre o fato.
Outro fato: a prefeita tentou emplacar a terceirização dos serviços de saúde. Seria um desastre.
A cidade e seus habitantes escaparam por pouco, graças aos vereadores que derrubaram a hedionda estultice. E essa derrubada impediu que prosperasse outra patetada: a entrega das escolas públicas municipais ao setor privado.
Para concluir a série de anomalias gerenciais na saúde a prefeita deixa faltar remédios nos postos, mas paga aluguel por ambulâncias. O município fechou contratado em 2025 para alugar cinco ambulâncias por cerca de R$ 71,4 mil por mês (cerca de R$ 14.295,25 por veículo).
E agora, em auditoria, descobre-se uma pilha de esbanjamentos, entre os quais o uso de uma motocicleta da Saúde que entre dois abastecimentos percorreu o equivalente a 244 viagens de ida e volta entre a Terra e a Lua.
O veículo fez um abastecimento e rodou 16,77 mil km; abasteceu em seguida e rodou 94.136.475 km. Uma diferença de 94,1 milhões de quilômetros. O sistema de atendimento nos domínios de São Jorge deve ser dos melhores e as crateras lunares por certo não constituem problema.
O azar é mesmo dos campo-grandenses, que além da falta de viaturas e de medicamentos, das longas filas de espera e plantonistas gazeteiros, ainda são obrigados a praticar motocross forçado para chegar no posto por causa da buraqueira.
Mas é bom tomar cuidado: não confundir crateras lunares com buracos nas ruas de Campo Grande e cavidades secretas nos cofrinhos e ‘cofrões’ públicos.
A lua não é aqui. Lunática só a gestão.
