A boca torta da Afonso Pena
Guardem bem as datas para encaixar nelas os fatos, sem boatos: de 1° de janeiro de 2017 até 03 de abril de 2022 Adriane Barbosa Nogueira Lopes era a vice-prefeita na gestão compartilhada com Marquinhos Trad.
No dia 04 de abril de 2022, quando ele renunciou ao cargo para disputar o governo, ela assumiu como titular definitiva.
Aos fatos: De acordo com uma fonte oficial, o Conselho Municipal de Saúde, e conforme registros da mídia, um deles o portal “O Jacaré”, de ontem (sexta-feira, 09/10/2026), instigante ocorrência é contada em uma matéria sob o título “Prefeitura gastou R$ 400 mil para abastecer sucatas e com cartões de 13 aposentados”.
Nos dois primeiros parágrafos, lê-se o seguinte, na íntegra:
“Auditoria do Conselho Municipal de Saúde, em contrato de R$ 21,8 milhões entre a prefeitura de Campo Grande e a S.H. Informática Ltda, apontou uma série de irregularidades como o uso de cartão de abastecimento de combustível por 13 servidores aposentados. E o mais grave, o gasto foi feito com veículos que já foram classificados como sucatas e que somaram R$ 400.809,30”.
“Importante destacar que o contrato da saúde foi firmado em julho de 2022 e o conselho encontrou várias irregularidades em apenas nove meses de análise, de outubro de 2025 e junho de 2026. Período em que a saúde municipal realizou 28.008 abastecimentos, de 775.986,52 litros de combustível e movimentou R$ 4,12 milhões”.
Não é preciso ser especialista em contratos ou responsabilidades no serviço público para entender ou configurar o enredo.
Primeiro, às responsabilidades e responsáveis: se este contrato começou em julho de 2022 e Adriane Lopes já estava com as chaves e a caneta da prefeitura nas mãos desde abril daquele ano, desnecessário procurar quem é que patrocinou ou autorizou este enlace monetário de quase R$ 22 milhões entre o público e o privado.
Segundo, vamos aos desafinos da canção: cartão de aposentados foi utilizado no pagamento de mais de R$ 400,8 mil em combustível para abastecer veículos sucateados; além disso, em nove meses foram feitos pela prefeitura 28.008 abastecimentos, que equivalem a R$ 4,12 milhões.
E a saúde pública campo-grandense é um retrato vivo do caos, algo que não precisa de matéria em jornal ou reportagem de TV para ser visto a qualquer hora.
A ilustríssima gestora, reinando absoluta, acima de tudo e todos, cercada de súditos prestimosos e instalada em seu palácio na Avenida Afonso Pena, passa os dias afirmando que sua gestão está resolvendo os problemas da cidade e atendendo às expectativas das pessoas.
Mas não consegue acreditar nela mesma, pois o que diz não resiste a um elementar processo de auditoria do Conselho de Saúde. Não é nem um Tribunal de Contas ou um Ministério Público – e a barbárie que fazem com o dinheiro do contribuinte aparece inteira, reveladora.
Este editorial ignora o conjunto da obra ‘Adrianista’ para deter-se, única e tão-somente, num dos maus exemplos de gestão, desperdício e – quem sabe – desvio de finalidade (mais um) com a sagrada verba que sai do bolso dos contribuintes para engordar as folhas secretas e os destinos incertos e não sabidos de felizes e sortudos destinatários, prestadores de serviços a uma prefeita que não os presta porque não se dá bem com este mister: serviço.
Bem define o velho ditado: pitar é bom, mas é o uso do cachimbo deixa a boca torta.