Estado passa de uma para quatro deputadas federais. PL lidera com três cadeiras, enquanto Geraldo Resende e Dr. Luiz Ovando não conseguem reeleição.
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O Mato Grosso do Sul definiu, neste domingo (04/10), os oito deputados federais que representarão o estado na Câmara dos Deputados a partir de 2027. A nova bancada terá cinco reeleitos, uma deputada que retorna ao cargo após ficar fora da legislatura atual e duas estreantes, com destaque para a ampliação da presença feminina: o estado passa de uma para quatro mulheres entre os oito parlamentares, a maior bancada feminina da história de MS na Câmara.
O PL será o partido com a maior representação, com três cadeiras (Marcos Pollon, Mara Caseiro e Rodolfo Nogueira), seguido por Republicanos com duas (Beto Pereira e Isa Marcondes), e PT, União Brasil e PP com uma cadeira cada (Camila Jara, Rose Modesto e Dagoberto Nogueira, respectivamente).
Quem não conseguiu se reeleger
Dois deputados federais que estavam em exercício não conseguiram a reeleição em 2026: Geraldo Resende (União Brasil) e Dr. Luiz Ovando (PP). Ambos aparecem na lista de suplentes na apuração final, com 31.714 votos (2,23% dos válidos) e 34.679 votos (2,44% dos válidos), respectivamente.
A derrota de Geraldo Resende, que já ocupou cargos como secretário estadual de Governo e foi candidato ao governo do estado em 2022, e de Dr. Luiz Ovando, médico e pastor com atuação em pautas sociais e de saúde, indica uma renovação parcial da bancada e a perda de espaço de legendas que antes tinham mais força na representação federal de MS.
Recorde feminino e renovação na bancada
Pela primeira vez, o Mato Grosso do Sul terá quatro mulheres entre os oito deputados federais: Camila Jara (PT), Rose Modesto (União Brasil), Mara Caseiro (PL) e Isa Marcondes (Republicanos). Camila Jara foi a candidata mais votada do estado, com 154.157 votos (10,85% dos válidos), batendo o recorde de votação para uma mulher em uma eleição para a Câmara em MS.
A bancada feminina cresce de forma expressiva em relação à legislatura atual, que contava apenas com uma deputada federal. A presença de 50% de mulheres na representação federal de MS coloca o estado entre os que têm maior proporção de deputadas federais eleitas no país em 2026.

Perfil dos 8 deputados eleitos
Camila Jara (PT) – 154.157 votos (10,85%)
Camila Jara, 38 anos, cientista social natural de Campo Grande, foi a deputada federal mais votada de Mato Grosso do Sul em 2026. Eleita pela primeira vez em 2022, com 56.552 votos, ela mais que dobrou a votação e garantiu a reeleição com folga.
Vereadora em Campo Grande entre 2021 e 2023, Camila integrou a Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados e atuou em pautas relacionadas ao meio ambiente, direitos das mulheres, direitos humanos e políticas sociais. Para o próximo mandato, a expectativa é que ela mantenha o protagonismo em temas sociais e ambientais, com possibilidade de assumir posições de liderança na bancada do PT e em comissões ligadas a essas áreas.
Marcos Pollon (PL) – 140.129 votos (9,86%)
Advogado natural de MS, Marcos Pollon foi o segundo mais votado e garantiu a reeleição pelo PL. Em 2022, ele havia sido o deputado federal mais votado do estado, com 103.111 votos, e agora aumenta sua base eleitoral para 140.129 votos.
Pollon tem atuação marcada por pautas ligadas ao agronegócio, segurança pública e defesa da posse e do porte de armas, temas que o projetaram nacionalmente. Para os próximos quatro anos, a tendência é que ele continue como um dos principais nomes da bancada do PL, com influência em discussões sobre segurança, armamento e produção agropecuária.
Rose Modesto (União Brasil) – 124.409 votos (8,76%)
Rose Modesto, professora e historiadora natural de Fátima do Sul, retorna à Câmara dos Deputados após ficar fora da legislatura 2023–2026. Ela já havia sido deputada federal entre 2019 e 2023, quando chegou a ocupar a Terceira Secretaria da Mesa Diretora da Câmara, e também comandou a Secretaria de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho do estado.
Com 124.409 votos, Rose se consolida como uma das principais lideranças femininas do estado e deve ter papel de destaque na articulação política da bancada de MS, especialmente em temas ligados a assistência social, trabalho e direitos humanos.
Mara Caseiro (PL) – 120.199 votos (8,46%)
Mara Caseiro, cirurgiã-dentista natural de Umuarama (PR) e radicada em MS, estreia na Câmara dos Deputados em 2026. Deputada estadual, ela foi a candidata mais votada para a Assembleia Legislativa em 2022, com 49.512 votos, e agora dá o salto para a representação federal com 120.199 votos.
Mara foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira de deputada estadual na história de MS e tem atuação ligada a saúde, assistência social e pautas regionais. No próximo mandato, a expectativa é que ela atue em comissões relacionadas à saúde e ao desenvolvimento regional, fortalecendo a presença sul-mato-grossense em temas ligados ao interior do estado.
Rodolfo Nogueira (PL) – 103.303 votos (7,27%)
Rodolfo Nogueira, produtor rural e empresário natural de Dourados, foi reeleito para mais um mandato na Câmara. Eleito pela primeira vez em 2022, Rodolfo presidiu a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e tem atuação fortemente ligada ao agronegócio, segurança no campo e pautas conservadoras.
Com 103.303 votos, ele mantém uma base eleitoral sólida no sul do estado e deve continuar como um dos principais interlocutores do setor agropecuário na bancada de MS, com influência em temas como produção rural, infraestrutura e políticas para o campo.
Beto Pereira (Republicanos) – 77.485 votos (5,45%)
Beto Pereira, empresário e bacharel em Direito natural de Campo Grande, garantiu a reeleição pelo Republicanos. Ele já foi prefeito de Terenos por dois mandatos, deputado estadual e deputado federal, tendo sido eleito pela primeira vez à Câmara em 2018.
Com 77.485 votos, Beto Pereira consolida uma trajetória de longa permanência na política estadual e federal. Para o próximo mandato, a expectativa é que ele atue em pautas ligadas ao desenvolvimento regional, infraestrutura e temas relacionados aos municípios, aproveitando sua experiência de gestor público.
Isa Marcondes (Republicanos) – 76.956 votos (5,42%)
Isa Marcondes, empresária natural de Dourados, estreia na Câmara dos Deputados em 2026. Eleita vereadora de Dourados em 2024, ela deixou a disputa municipal para concorrer a uma vaga federal e garantiu a última cadeira de MS na divisão das sobras, com 76.956 votos.
Com base eleitoral no sul do estado, Isa tem atuação ligada a empreendedorismo, comércio, assistência social e desenvolvimento regional. No próximo mandato, a tendência é que ela fortaleça a representação de Dourados e região na Câmara, com foco em políticas para pequenos negócios e inclusão social.
Dagoberto Nogueira (PP) – 56.217 votos (3,96%)
Dagoberto Nogueira, advogado e administrador natural de São José do Rio Preto (SP), foi reeleito para mais um mandato na Câmara. Ele chegou à Câmara dos Deputados pela primeira vez em 2006 e, ao longo da carreira, foi secretário de Segurança Pública de MS e deputado estadual.
Com 56.217 votos, Dagoberto mantém uma base eleitoral mais concentrada, mas suficiente para garantir a reeleição pelo PP. Para os próximos quatro anos, a expectativa é que ele continue atuando em pautas ligadas a segurança pública, justiça e gestão pública, áreas em que já tem trajetória consolidada.
Perspectivas para o próximo mandato
A nova bancada federal de MS chega a Brasília com perfil mais diverso e com maior peso feminino, o que pode ampliar a capacidade de articulação em temas sociais, de gênero e de desenvolvimento regional. O PL, com três deputados, terá influência direta nas pautas do governo federal, especialmente em temas como agronegócio, segurança e armamento.
A presença de quatro mulheres deve fortalecer a atuação em políticas para mulheres, infância, assistência social e direitos humanos, áreas em que Camila Jara, Rose Modesto, Mara Caseiro e Isa Marcondes já têm histórico de atuação. Ao mesmo tempo, a renovação parcial, com a saída de Geraldo Resende e Dr. Luiz Ovando e a entrada de Mara Caseiro e Isa Marcondes, indica uma bancada mais conectada com novas lideranças regionais e com demandas do interior do estado.
Nos próximos quatro anos, a bancada de MS terá o desafio de equilibrar a defesa de interesses do agronegócio e da segurança pública com pautas sociais e de desenvolvimento regional, em um contexto de governo federal liderado por Flavio Bolsonaro, conforme apuração das eleições presidenciais de 2026.






