Zé Bocão, que já presidiu a Câmara de Mundo Novo, tentou subornar policiais militares que o prenderam.
Assessor parlamentar do deputado estadual Lídio Lopes (Avante) na Assembleia Legislativa (Alems) e seu cabo eleitoral, o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Mundo Novo, José Antônio Pires de Souza, o ‘Zé Bocão’, foi preso na quarta-feira (30/09), em Iguatemi (MS), com R$ 130 mil em espécie.
O dinheiro estava em pacotes dentro de um veículo Volkswagen T-Cross, que transportava também material de propaganda eleitoral do deputado, candidato à reeleição.
Zé Bocão faz parte da equipe de assessores e cabos eleitorais de Lídio, atuando na coordenação de campanha na região de Mundo Novo, que fica no Cone Sul.
Ele saiu de Campo Grande com destino a Mundo Novo e parou no Bar Último Gole, entre Iguatemi e Japorã, quando foi abordado pela Polícia Militar, que queriam saber porque trafegava em alta velocidade.
Quando os policiais abriram os pacotes e encontraram o dinheiro em espécie – notas de R$ 50,00 e R$ 100,00, anexadas em santinhos de Lídio Lopes, o assessor ofereceu a eles R$ 5 mil para que fosse liberado e seguisse viagem. Deu-se mal.
Recebeu voz de prisão pela tentativa de suborno e foi conduzido à delegacia. O veículo, o dinheiro e o material de campanha foram apreendidos.

Primeiro cavalheiro
Lídio Lopes, que tenta seu quarto mandato, é o marido da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP).
Advogado e evangélico, foi reeleito em 2022 pelo Patriotas, mas depois ingresso no Avante, do qual é o presidente regional.
Segundo os dados da Justiça Eleitoral, já divulgados pela imprensa, o patrimônio declarado de Lídio Lopes em 2022 era de R$ 288.000,00 e saltou para R$ 562.375,84 nas eleições de 2026.
O crescimento patrimonial em quatro anos, portanto, foi próximo dos 95%. Nesta eleição, os bens declarados por ele são: R$ 133,6 mil em aplicações financeiras; R$ 247,7 mil (um Toyota SW4: R$ 247,7 mil, carro também citado na declaração da esposa, Adriane Lopes); R$ 107 mil (um terreno); R$ 75.000,00 em três veículos: um ônibus R$ 35 mil), uma ambulância (R$ 25 mil) e uma carreta semirreboque (R$ 15 mil).
A imprensa campo-grandense já levantou uma suspeita sobre a possível ocultação da mansão residencial onde o casal Lídio-Adriane mora há mais de 10 anos, avaliada em R$ 1,1 milhão.
No início do ano, o Top Mídia News publicou documentos apontando que o imóvel não estava averbado na prefeitura, gerando suspeitas de sonegação fiscal do IPTU.
Em agosto, o portal O Jacaré noticiou que Lídio omitiu a propriedade na declaração oficial de bens que enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).






