A prefeita, a caneta e o festival do Stanislaw
Se vivo estivesse, Stanislaw Ponte Preta – ou Sérgio Porto, o seu nome de batismo – com certeza teria na Campo Grande de hoje o seu maior e mais abundante centro de inspirações e de matérias-primas para preencher coleções da antológica série ‘Febeapá’ – Festival de Besteiras que Assola o País. Evidentemente, seria uma versão regional, porém de farta e diversa temática em matéria de desmando, incompetência, inépcia, desgoverno e coisas parecidas.
‘São tantas coisas’ – como diria a Roberta Miranda – que o bom e divertido Stanislaw nem saberia por onde começar e por onde terminar. O que se sabe é que a prefeita Adriane Lopes ganha com sobras, o papel de principal protagonista das bizarrices que ela e outros vem praticando há cerca de 20 anos com a caneta do poder municipal nas mãos. E nada mais apropriado para merecer esta honra que um título, a que faz jus: o de pior prefeita das capitais brasileiras.
No ano anterior ela já ostentava esta condição. Agora é bicampeã. De goleada. Com louvor. Seus predecessores – Alcides Bernal (que Deus o tenha), Gilmar Olarte e Marquinhos Trad – foram igualmente pífios, mas não chegaram a descer tanto no vexatório Ranking de Ruindade. O instituto, que por sinal se chama Ranking Brasil, ouviu em julho passado mil eleitores e eleitoras para saber o que achavam ou avaliavam do “jeito Adriane de governar”.
A resposta de aprovação foi dada por 3% dos entrevistados, o mesmo percentual atribuído aos que não souberam ou não quiseram responder.
E a reprovação? É de causar pena, mas com a verdade não se brinca: 94%. Isso mesmo. De cada 10 campo-grandenses nove reprovam a gestão da primeira mulher eleita para governar a cidade. É muita coisa. Mais espantoso ainda é pensar que ela foi eleita, passou do primeiro ao segundo turno e se reelegeu. À custa de promessas, fantasias e contos da Carochinhas, porém fez seu comercial e hoje colhe os louros que lhe são atribuídos.
E a bem da verdade verdadeira, não é só a Buracolândia que fez da gestão de Adriane Lopes a pior das piores. O buraco, segundo reza o grosseiro ditado popular, é mais embaixo.
A pesquisa constatou que a comunidade reclama praticamente de todos os serviços pelos quais a prefeitura é a responsável: saúde, transporte, educação, manutenção, lazer, cultura, empreendedorismo também.
Para completar, tem o lado ainda mais sombrio, o da suspeita de arteirices nada éticas, muito menos republicanas, como o descaminho daqueles mais de R$ 150 milhões do Fundo Municipal de Saúde e as “aplicações” de dinheiro dos aposentados no falido Banco Master.
O andar desta carruagem campo-grandense ainda vai demorar mais dois anos e quatro meses. Até lá, infelizmente, muitos outros ‘Febeapás’ terão mais besteiras para completar a coleção interrompida do querido Stanislaw Ponte Preta. Porém, com certeza, besteiras como aquela das urnas de 2022 tão cedo não se repetirão.