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Campo Grande, 25 de agosto de 2026
editorial

Quando a pergunta e a resposta apavoram o poder

  • Geraldo Silva
  • agosto 25, 2026
  • 5:52 am
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Quando a pergunta e a resposta apavoram o poder
A prefeita Adriane Lopes e seus imediatos afetivos ou de ocasião podem até atribuir às “intrigas de oposição” ou à ‘maledetta’ “perseguição política” as reclamações contra sua administração.
Que reclamem, é um direito constitucional pétreo. O problema é que, além da colossal montanha de motivos que ela fornece para as reclamações generalizadas, também não há praticamente qualquer razão minimamente convincente para elogiá-la.
Não foram os órgãos de imprensa e muito menos os seus adversários políticos que a lançaram no lugar mais alto do ranking das piores gestões de todas as capitais municipais do país. Foi a opinião pública da cidade que ela governa – ou deveria estar governando, pois uma das queixas populares trata da ausência da gestão, ora por incompetência, ora por omissão.
E em sendo assim, a digníssima senhora Adriane Lopes, pelo cargo prestigioso que ocupa e pelas responsabilidades a ele pertinentes, tornou-se alvo dos olhares e sentimentos julgadores de toda a sociedade.
Deve saber que todas as pessoas desta cidade, ocupem elas funções públicas ou façam parte dos cotidianos da vida comum de cidadãos e cidadãs, são impactados pelas decisões de quem recebeu nas urnas a procuração para gerir o território de sua jurisdição mandatária e os seres que o habitam.
Portanto, Adriane Lopes é uma mulher empoderada politicamente, de belo e recheado currículo pessoal, profissional e social. Mas não está acima da lei e nem tampouco apta a cobrar um raro privilégio que só caberia aos inimputáveis.
Está sujeita a dois tipos de julgamentos, um no dia da eleição, por meio do voto, e outro que se faz todos os dias de seu mandato e para todos os atos que pratica usando sua caneta e seu poder. Desta forma, cabe à prefeita responder pelo que faz e pelo que não faz. Deve honrar a palavra pelas promessas que fez, deve satisfações a quem a elegeu e deve explicações aos órgãos de controle e à Justiça, como ocorreu agora.
Um juiz da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais de Campo Grande, pediu informações ao Tribunal de Contas (TCE-MS) sobre o Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) assinado por Adriane para dar um fim na malsinada “folha secreta”.
Sem fazer juízo definitivo, mas erguendo a inevitável suspeita sobre a poderosíssima razão que levaria uma gestora a esconder sob véus cinzentos alguns detalhes numéricos e justificações administrativas sobre desembolsos bancados pelos cofres públicos em sua gestão. Mais nada. Simples como o voo atávico de uma folha ao vento.
É só informar o básico: gastou com quê, com quem, quanto e porque.  Se tem segredo, é porque a folha-planta voadora não obedece aos sopros dos ventos.  Deve ser muito pesada ou tem rumo definido para sabe-se lá onde.
Com a palavra, pois, a primeira prefeita escolhida nas urnas para administrar Campo Grande. A resposta não é para o editorialista, nem para os jornais e muito menos para a oposição perseguidora. É para a Justiça.
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