Investigação aponta que mulher conquistou a confiança da mãe adolescente, atraiu as vítimas para imóvel no Bairro Universitário e levou recém-nascida ao Paraguai. Três pessoas foram presas: uma na Capital e o casal no Paraguai..

A mulher apontada como responsável pelo sequestro da recém-nascida Ayla Emanuelly, em Campo Grande, teria planejado o crime para criar a bebê como filha e tentar manter o próprio casamento. A motivação foi divulgada nesta sexta-feira (14) pela delegada Anne Karine Sanches, da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).
Segundo a polícia, a investigada tem outros filhos, mas não cuidou deles por ter passado parte da vida presa. Conforme a delegada, a intenção seria ficar com Ayla e apresentá-la como filha dentro da relação conjugal. “Ela queria ter uma filha para sustentar o casamento dela”, afirmou Anne Karine. A apuração descartou, até o momento, versões não confirmadas de que o sequestro teria relação com facções criminosas ou pagamento de dívidas.
Aproximação começou antes do nascimento
A mãe de Ayla, uma adolescente de 17 anos, teria conhecido a suspeita durante a gestação, por meio de um grupo de venda de roupas infantis na internet. A mulher passou a manter contato frequente, ofereceu roupas e objetos para a criança e se apresentou como fotógrafa, com proposta de fazer um ensaio da recém-nascida.
A sessão chegou a ser marcada, mas não ocorreu devido ao frio. No dia seguinte, de acordo com a investigação, a suspeita voltou a procurar a adolescente e ofereceu R$ 100 para que ela cuidasse de uma suposta filha de seis meses. A criança apresentada como filha, porém, seria neta da investigada.
Mãe e tia foram levadas a imóvel
A mãe de Ayla aceitou a proposta e seguiu até uma casa no Bairro Universitário acompanhada da irmã mais nova e da bebê. No local, as adolescentes teriam sido rendidas e ameaçadas para entregar a recém-nascida.
O relato apresentado à polícia indica que as duas foram mantidas no imóvel durante horas. Elas só foram liberadas durante a madrugada e abandonadas perto de uma área de mata, nas proximidades da Avenida Guaicurus e da UPA Universitária, sem Ayla. A mãe afirmou que ouviu ameaças de que ela e a irmã seriam jogadas em um buraco caso se recusassem a entregar a criança.
Casa teria sido cedida para crime
A investigação identificou um homem suspeito de disponibilizar o imóvel usado como ponto de apoio no sequestro. Ele foi preso no sábado (8) e teve a prisão preventiva decretada em audiência de custódia.
Conforme a polícia, o suspeito teria relatado que recebeu R$ 1 mil para permitir que a ação ocorresse na residência. A defesa e familiares dele apresentaram versões de que ele não saberia a finalidade do empréstimo do imóvel, ponto que permanece sob apuração da Depca.
Bebê foi levada ao Paraguai
Após o sequestro, os envolvidos trocaram as roupas de Ayla por peças masculinas e a colocaram em um bebê-conforto de menino, numa tentativa de dificultar sua identificação durante o deslocamento. A recém-nascida foi levada para Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia na fronteira com Ponta Porã.
A mobilização incluiu o Amber Alert Brasil, ferramenta do Ministério da Justiça e Segurança Pública acionada para casos de desaparecimento de crianças e adolescentes. O cruzamento de informações e o rastreamento de sinais de telefone auxiliaram as equipes brasileiras e paraguaias a localizar o endereço onde a bebê estava.
Resgate ocorreu na madrugada
Ayla foi encontrada com vida por volta de 1h15 de domingo (9), em uma residência no Bairro Virgen de Caacupé, em Pedro Juan Caballero. A ação envolveu forças de segurança brasileiras e paraguaias.
No imóvel, foram detidos Suzilaine da Graça Costa e Alex Melo de Abreu — identificado inicialmente em parte das informações como Weliton Aparecido Lopes dos Santos. De acordo com a imprensa local, Alex usava documentos falsos e possui condenação de 11 anos por homicídio. O casal foi expulso do Paraguai e entregue à Polícia Federal em Ponta Porã, antes dos procedimentos no Brasil.
Bebê voltou para a família
Após o resgate, Ayla foi levada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero para avaliação médica. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades e pelo Conselho Tutelar, ela não apresentava ferimentos e foi considerada saudável.
A recém-nascida foi repatriada, passou por acolhimento institucional e acompanhamento da rede de proteção em Mato Grosso do Sul. Depois de avaliação judicial, ela retornou aos braços da mãe e familiares em Campo Grande, sete dias após o sequestro. A Depca mantém as investigações para esclarecer a participação individual dos suspeitos e verificar se há outros envolvidos.








