Viajando na maionese, de pneu furado e caixa bombando
A imprensa em geral – e principalmente os portais de jornalismo investigativo, como O” Jacaré” e o “Investiga MS” – revelaram ontem, quarta-feira (22/07), que se a prefeita Adriane Lopes der a sua majestática autorização, o Consórcio Guaicurus será vendido. Em outras palavras: isto significaria, em princípio, algo que há mais de 20 anos já deveria ter acontecido, mas só agora, na metade do segundo, ou terceiro mandato, a gestora já deveria ter providenciado.
Lamentavelmente, o problema do transporte coletivo na Capital de Mato Grosso do Sul já deixou de ser apenas uma simples mudança de concessionários. Assim, inexiste motivo para comemorar, até porque as revelações publicadas ontem, lidas e relidas por campo-grandenses de A a Z, dão conta de um “imbróglio” com olor suspeito. Mau cheiro, se for feita a leitura detalhada e crítica das notícias.
Segundo os veículos que deram a notícias, o consórcio estaria no balcão para ser vendido a uma empresa, ou um grupo, constituída dois dias antes de ser formalizada a proposta de compra.
Isto mesmo: uma certa Maas Administração e Participações Ltda, juridicamente uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), com um capital “robusto” de R$ 10 mil, foi estabelecida comercialmente no dia 16 deste mês e 48 horas depois já encomendava um negócios em que será preciso desembolsar mais de R$ 160 milhões.
Tem mais: inicialmente, ventilou-se que o comprador seria um grupo goiano (HP Mobilidade). Só mais tarde surgiu o nome verdadeiro dos interessados. Um nome que, por si, já não soa muito bem: Maas. Sem acento agudo passa.
O desastroso serviço prestado pelo Consórcio Guaicurus decorre, em grande parte, de uma desastrosa administração pública municipal. Se a prefeitura tivesse cumprido obrigações primárias – como a manutenção das ruas, nova pavimentação, prevenção e controle de inundações, todos os pontos de ônibus com cobertura, renovação de frota -, certamente o sistema estaria funcionando sob aplausos dos usuários.
No entanto, o que sobra são vaias. Tanto para os concessionários, como para a concedente (leia-se: prefeitura municipal, comandada por Adriane Lopes, apontada pela enésima vez como a pior entre as gestoras das capitais, com mais de 90% de reprovação).
Desde que assumiu seu legítimo espaço na vida pública, deixando de ser apenas a esposa do deputado (Lídio Lopes) tornando-se vice-prefeita e depois prefeita, já lá se vão quase 10 anos aboletada no poder. E nada fez para mudar, com asas emprestadas ou em vos solo, como se estivesse assistindo de camarote o caos que castiga quem depende de um ônibus para trabalhar, estudar, ir ao posto de saúde, fazer compras, visitar os parentes, enfim, viver.
E assim segue uma cidade perdida porque a tiraram do seu melhor itinerário, aquele que conduzia a uma história e a um futuro de sucesso como um dos mais belos, funcionais e aprazíveis centros urbanos do Brasil.
A barbeiragem atropelou sonhos, abalroou esperanças e deu no que está dando: na feira-livre do transporte coletivo um consórcio que vale até R$ 200 milhões podendo ser adquirido por uma empresa com capital de R$ 10 mil.
Dá pra comprar um pneu.