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Campo Grande, 05 de setembro de 2026
editorial

Rede de desatendimento continua como dantes

  • Geraldo Silva
  • julho 22, 2026
  • 5:36 am
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Médicos e doentes evitam trabalhar ou ficar em posto de saúde na capital de Mato Grosso do Sul. E isto não é mera força de expressão. Infelizmente. Aquilo que poderia ser uma brincadeira ou um recurso retórico para ilustrar as dificuldades de um serviço público, torna-se, à luz da realidade, uma constatação seca, nua e crua da tragédia que é a rede municipal de saúde desta vilipendiada Campo Grande.

Na imprensa e nas redes sociais pipocam as informações, longe de serem boas notícias. Uma delas, por exemplo, dá conta que na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bairro Tiradentes os pacientes que lá chegaram em dia desta semana encontraram o local superlotado, com o bebedouro quebrado e, além disso, a fossa existente no jardim frontal do prédio transbordando.

O fedor, a sede não saciada e a quilométrica fila de espera formam um “belo” cenário para o circo dos horrores em que se transformou esta gestão pioneira da primeira mulher eleita para governar a cidade. Como é possível dar ao desgoverno um nome tão pomposo? Se Campo Grande fosse a cidade das ilusões e cada paciente do SUS vivesse de fantasias e de promessas vazias, haveria graça e razão nos sorrisos e mesuras que a prefeita esbanja nas imagens triunfantes em que aparece, vitoriosa, nas redes sociais.

A verdade é ainda mais dura e doída quando acrescenta outros relatos do dia-a-dia de quem depende do atendimento nas unidades sob o comando da prefeita. Até médicos e profissionais da área estão receosos, com um pé atrás, quando instados a ingressar na rede municipal de saúde. Precavidos, sabem que poderão ser submetidos a um trabalho às vezes – ou com frequência – desprovidos de materiais e medicamentos básicos.

Sem estas garantias para oferecer aos pacientes, acabarão sendo alvos das críticas e até responsabilizados por casos que se agravam em pacientes cujo atendimento é prejudicado em virtude de falhas estruturais e das deficiências que toda a população já conhece. Para lavar as mãos e escafeder-se da cena de responsabilidade, a prefeita tentou aplicar uma chave sem braço, apostando na terceirização dos serviços. A Câmara de Vereadores barrou a inconsequente aventura adrianista.

No entanto, com os relatos diários dando conta que tudo continua como dantes no quartel de Adriane, é bom ficar de olhos bem abertos e tomar todo cuidado. Já se sabe que qualquer ida a um posto de saúde se exige levar máscara contra gases, isopor com água gelada e uma cadeira para esperar na fila. Ah, e orar também para que haja médico plantonista e os necessários instrumentos para prestar a assistência adequada.

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