O profissional da saúde também é um dos diretores do sindicato da categoria. A paciente afirma ter recebido duas medicações e só acordou durante o abuso.

Um técnico de enfermagem de 52 anos, preso sob suspeita de estuprar uma paciente dentro da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), atuava na unidade há cerca de 15 anos e também integra a diretoria do Sintss-MS (Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social de MS).
Em nota divulgada após a prisão, o sindicato informou que o servidor é concursado desde 2011 e afirma não haver registros anteriores que desabonem sua conduta profissional. Ainda assim, classificou o caso como grave e defendeu uma apuração “rigorosa, técnica e imparcial”. A entidade também confirmou que oferece apoio jurídico ao profissional, que ocupa cargo no conselho fiscal.
Familiares da vítima, por outro lado, questionam a atuação do suspeito ao longo dos anos. “Quantas outras não tiveram oportunidade de denunciar ou sequer sabem o que aconteceu?”, declarou um parente.
Sobre o caso
De acordo com o relato, a vítima, de 27 anos, estava internada na UTI desde 15 de junho, em decorrência de complicações relacionadas à gestação e ao período pós-parto. Ela havia sido extubada dois dias antes do crime.
O estupro teria ocorrido na madrugada da última sexta-feira (10/07), por volta das 5h, quando o técnico entrou no leito para administrar medicamentos. Após a aplicação de uma das medicações, a paciente teria adormecido e, em seguida, acordado durante o ato de violência sexual. Ao perceber que a vítima estava consciente, o suspeito deixou o local.
O fato foi relatado por volta das 6h30 e a família só foi informada 20h
A jovem conseguiu relatar o ocorrido a uma técnica de enfermagem, que teria se comprometido a avisar a família, já que pacientes internados na UTI não têm acesso a celulares. No entanto, segundo a família, o caso só veio à tona por volta das 20h, durante o horário de visita.
A denúncia foi registrada no dia seguinte na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Dias depois, a paciente foi transferida de unidade hospitalar.
Em nota oficial, o HRMS informou que abriu sindicância interna para apurar os fatos e que o servidor foi afastado das funções. O hospital afirmou ainda que colabora com as investigações conduzidas pelas autoridades policiais. A paciente foi transferida do Hospital Regional para a Santa Casa de Campo Grande (MS).
O sindicato destacou que confia na atuação da Justiça e alertou para a necessidade de cautela. “Conclusões precipitadas podem comprometer a apuração adequada dos fatos”, diz trecho da nota.






