Só agora, prefeita? Demorou…
A imprensa, em geral, publicou a informação, que o site Campo Grande News publicou assim, na íntegra: “Segundo a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), o Município tem orçados cerca de R$ 240 milhões destinados exclusivamente para asfalto e drenagem ao longo de 2026.
Ao somar frentes de recapeamento, implantação de ciclovias e intervenções complementares, o montante investido deve chegar próximo aos R$ 300 milhões”.
Uma beleza, enfim. Só que não. A beleza de uma arrumação tardia é questionável, se for levado em conta que esta grana toda teoricamente cabe apenas para cobrir buracos espalhados pela cidade. Teoricamente, porque não se sabe de fato quanto é necessário investir para tapar 100% dos buracos que infestam a Capital sul-mato-grossense de norte a sul, de leste a oeste, incluídos centro e bairros – e a zona rural também.
Não há como negar o alívio e a importância da providência que a prefeita Adriane Lopes está tomando. Isto, entretanto, não faz esquecer o volume acumulado de prejuízos causados pela “craterolândia” em que se transformou a cidade. Muito se perdeu – e muito mesmo – por causa dos acidentes causados pela buraqueira.
Será que a prefeita não vê, não conhece ou não está nem aí para o fato de que a sua gestão está atrasadíssima nos cuidados mais urgentes que os campo-grandenses reclamam e precisam? Tapar buracos é serviço básico e obrigatório de manutenção sob responsabilidade da prefeitura e faz ano e meio ou mais que pessoas e veículos estão caindo nas ruas, ou tropeçando nos caroços de asfalto ou tragados pelos buracos.
Enquanto a prefeita – por razões que a própria razão desconhece – enrolava-se no seu labirinto deixando as condições de acessibilidade e de mobilidade à própria sorte, os buracos causavam acidentes, e acidentes causam feridos e mortos, fazem aumentar o número de pacientes nas alas de ortopedia de postos e hospitais, multiplicam as perdas parciais e totais de veículos, danificam veículos dos serviços essenciais (ambulâncias, ônibus, caminhões de coleta de lixo) e desestimulam o consumo.
Quem vai pagar por esta montanha de prejuízos que se acumulou nesta longa dormência gerencial da prefeita? Está na cara que não será ela, nem sua bem paga assessoria de fiéis. Quem paga é João, é Maria, é o povo, é o contribuinte arrochado pelo desgoverno municipal com um reajuste extorsivo do Imposto Predial e Territorial Urbano, tributo que é pago até por quem não tem asfalto à frente de sua casa.
Como bem frisou um vereador, fazendo a triste comparação: os buracos são hoje cartões postais da cidade. Alguns tem até nome, data de nascimento e de aniversário.
Outros perigam virar atração turística e até fazer concorrência ao Buraco das Araras.
Seria cômico, não fosse trágico.