A cidade feliz de ontem quer seu sorriso de volta.
Toda cidade é formada por pessoas. E elas são diferentes, tem suas próprias escolhas religiosas, políticas, esportivas, profissionais. Contudo, há interesses e objetivos comuns, que mesmo circunstancialmente podem uni-las em processos específicos de reivindicação, de mobilização e de esperança. A população de Campo Grande, quase um milhão de pessoas, vive um destes momentos.
Seu povo sofre com as dolorosas consequências dos desgovernos municipais que se arrastam há mais de 15 anos, ou seja, desde 2011. Até o ano anterior, 2010, na segunda e consecutiva gestão de Nelsinho Trad, a cidade caminhava sorrindo, na expectativa de seguir avançando como uma das mais bonitas, progressistas, limpas, organizadas e bem tratadas dentro do território brasileiro.
Lamentavelmente, aquela cidade feliz de ontem parece hoje não ter existido, tamanhas as dimensões do caos provocados pela absoluta e abusiva falta de competência e de responsabilidade de quem responde por sua administração nestes 15 anos e meio.
E o peso mais grave nesta balança de desmandos é o estrago profundo causado na credibilidade e na autoridade política, institucional e financeira da prefeitura. O povo é quem paga, e muito caro, por isto, juntamente com a agora ex-cidade mais desenvolvida e bem cuidada do País.
Em setembro de 2025 Campo Grande havia despencado dos primeiros para a 3.464ª posição entre os 5.129 municípios avaliados pelo Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF) de 2024.
O IFGF avalia a qualidade da administração das finanças públicas municipais, medindo se as prefeituras arrecadam o suficiente, controlam gastos, investem em melhorias e mantem as contas em dia.
Com indicadores conferidos pelo Índice Firjan (Autonomia, Gastos com Pessoal, Investimentos e Liquidez), e notas na escala de zero a 1, as pontuações classificam desde “de excelência” a “crítico” o desempenho da situação fiscal.
E a Capital sul-mato-grossense foi para o fundo da sala, no lugar dos alunos reprovados, mesmo com suas receitas impulsionadas por gordos repasses, como os R$ 177 bilhões do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) em 2024.
O fracasso absurdo na gestão fiscal se equipara ao fragoroso revés na condução do mandato, em seus variados aspectos.
A rigor, não seria necessário basear-se numa pesquisa de opinião pública para inferir que a gestão de Adriane Lopes é das piores, até porque consegue piorar o que já havia piorado.
Os campo-grandenses querem que sua cidade volte aos dias em que ambos, Campo Grande e seus moradores, sorriam juntos, satisfeitos com o bem-estar e o prazer de andar por ruas sem buraqueira, conservadas, de um município de volta ao lugar de excelência que já ocupou antes e hoje se mantém somente nas lembranças.

