Um mandato que tinha tudo para ser a prova da capacidade feminina no ambiente da política
Para que a administração de Campo Grande não seja mais maltratada do que já está, a Câmara Municipal ainda reluta diante de uma decisão das mais drásticas, que seria instalar uma Comissão Processante para apurar as já incontáveis denúncias de infrações político-administrativas atribuídas à prefeita Adriane Lopes. É racional entender num primeiro momento o que argumentam os vereadores, sejam governistas, da oposição ou pelo menos agora neutros.
No entanto, já não é só a paciência que se esgotou para a maioria esmagadora da população. A primeira mulher que a Capital elegeu prefeita em toda sua história não sai e não quer sair, mas sabe que chegou ao nível mais alto de rejeição popular, a ponto de ser evitada em cenas públicas por aliados político-partidários. Pré-candidatos de seu partido, o PP, inclusive têm desviado de rota ou produzido compromissos de última hora para ter um álibi à falta.
É lamentável, vergonhoso, triste, enfim, é a depreciação extrema de um mandato que tinha tudo para ser a prova de excelência da capacidade feminina no ambiente desafiador da política. Desafiador, mas nada tão complicado, bastando simplesmente ter coragem para dizer a verdade, assumir as responsabilidades pré-estabelecidas na lei, honrar a palavra que empenhou em juramento solene. Enfim, ser fiel à procuração confiada, legítima e soberanamente, pelo povo.
Adriane Lopes não quis seguir este caminho. Preferiu omitir-se das responsabilidades, transferindo-as a terceiros. Ignorou os mandamentos republicanos e democráticos da gestão pública. E mentiu. Muito. Vendeu ilusões para seduzir a boa-fé dos que creem na palavra falaciosa. E deu no que está dando: a cidade afunda, não só nos buracos, no endividamento e no desgoverno, mas também – o que é pior – na possibilidade apavorante de tudo continuar como está por mais dois anos e meio.
Desnecessário enumerar ou descrever aqui as repetidas e surradas demonstrações de incompatibilidade entre a prefeita e seu mandato. É notório, pela quantidade de exemplos – maus exemplos -, que o pior de cada dia nesta gestão só acontece porque a gestora está segura de sua intocabilidade. Não fosse assim, algum remendo decente ela estaria a fazer com sua caneta, na sua malfadada gestão.
Mais 30 meses de infortúnio, manutenção inexistente, saúde na UTI, transporte caótico, serviços públicos precarizados, folhas secretas, gastos misteriosos, servidores com salários aviltados, empreguismo, sinecuras, compadrios pró-irmãos e irmãs da fé, assessorias pervertidas…e o toc-toc da força-tarefa do Gaeco batendo à porta. Por enquanto, é só barulho.

