Um plano de saúde que não foge aos desafios
Uma nervosa polêmica tomou conta das pautas da imprensa e de vários segmentos da sociedade, sobretudo os servidores públicos, agentes políticos, profissionais de saúde e especialistas em gestão administrativa e financeira.
Trata-se de uma discussão cuja semente foi lançada quando a Caixa de Assistência dos Servidores Públicos de Mato Grosso do Sul, a Cassems, decidiu reajustar em 1.185% a contribuição fixa dos cônjuges, dependentes, fazendo o valor subir de R$ 35 para R$ 450 mensais.
A instituição e os segurados ficaram diante de um contexto cruel e contraditório, na medida que esta majoração não agradou nem mesmo a quem a aplicou. E esta é uma constatação que pode ser aferida ao longo dos 25 anos de existência e de serviços prestados por este plano de saúde. Um quarto de século com incontáveis intervenções em defesa das vidas, com um atendimento de qualidade a toda rede.
Avançadas tecnologias e a grade de serviços impõem custos elevados que não param de crescer.
Não é nada agradável, muito menos pacífico para as emoções e a inteligência, um sobrepeso nos orçamentos domésticos e empresariais. No entanto, sem deixar de reconhecer a legitimidade dos protestos e a força do arrazoado contestatório dos beneficiários, é necessário também considerar o beco sem saída de uma situação específica que ameaçava e ainda ameaça a sustentabilidade da Caixa.
A carteira de cônjuges e a alta inflação dos custos da assistência médica intensificaram um processo de asfixia nas finanças da Caixa. E a instituição, pela palavra e decisão de seus dirigentes, garantiu não abrir mão do compromisso de seguir oferecendo um plano de saúde seguro, planejado e estruturado para dar aos beneficiários e seus dependentes um sistema de cobertura médica e hospitalar confiável, capacitado científica e tecnicamente.
Enquanto a arrecadação anual com dependentes somava em torno dos R$ 61 milhões, os gastos superavam R$ 250 milhões. Para cada R$ 1 arrecadado nesse grupo, o plano gastava R $ 4,08. Além disso, houve um aumento expressivo nas demandas de internações complexas, tratamentos continuados e medicamentos de alto custo.
Afora isto, o envelhecimento da população avançou, na média, propiciando a maior utilização da rede.
Apesar dos vários impactos causados por custos crescentes e de altíssima velocidade, a Caixa vem investindo na excelência das atenções da rede clínica e hospitalar aos seus pacientes. Os investimentos de ponta incluem avanços como a implementação pioneira de cirurgia robótica em Campo Grande, o Centro de Transplante de Medula Óssea, a expansão da Telessaúde para o interior e a modernização de diagnósticos locais.
Com inquestionável certeza, duas raízes desta polêmica precisam ser consideradas e dimensionadas para que não se apequene os méritos que a Cassems acumula em 25 anos.
Os cuidados com a vida e a cura, alicerçados por sistemas de tratamento no mais alto nível, não podem ser desprezados, sem que esta consideração exclua o direito dos segurados ao protesto. O que é, é. E toda balança tem dois pratos.

