O fundo do poço é mais fundo na Afonso Pena
“MPMS abre investigação sobre dívida na Saúde de Campo Grande e cobra transparência”. Este é o título da matéria elaborada e divulgada dia 22 deste mês pela Assessoria de Comunicação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
E a informação veio com o reforço do seguinte subtítulo para não deixar qualquer dúvida: “Procedimento administrativo da 76ª Promotoria aponta passivo superior a R$ 197 milhões e risco de desabastecimento; MPMS intensifica a fiscalização sobre a gestão do Fundo Municipal de Saúde”.
Para entender esta que é apenas uma ponta do imenso iceberg que responde pelo nome de Prefeitura de Campo Grande, aqui vão os dados: segundo o Sistema Integrado de Planejamento, Finanças, Contabilidade e Controle (Sicont), entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2026 o total de restos a pagar vinculados à saúde municipal chegou a R$ 285,8 milhões, dos quais pouco mais de R$ 88,2 milhões foram quitados.
Daí é só fazer conta, resta um saldo negativo de cerca de R$ 197,6 milhões.
A mesma fonte apurou também que há mais de R$ 5 milhões em débitos com fornecedores de medicamentos e materiais hospitalares, o que compromete diretamente o atendimento à população que depende do Sistema Único de Saúde (SUS).
Quem acompanha o desgoverno local já reparou que neste desajuste gerencial não estão os R$ 156,7 milhões que deveriam ser utilizados pelo Fundo Municipal de Saúde, mas ganharam asas e voaram por escuros céus de brigadeiros.
Entretanto, este baita iceberg tem outras pontas. De acordo com o Relatório Resumido da Execução Orçamentária do 1º quadrimestre de 2026, a prefeitura acumula com fornecedores e prestadores de serviços uma dívida superior aos R$ 331 milhões.
Ora, se só para o caso da saúde a 76ª Promotoria de Justiça instaurou medida fiscalizatória, alertando até para o risco de desabastecimento, imaginem como estão as outras pastas, sobretudo a de Infraestrutura, que cuida da manutenção. Aliás, descuida.
A gestão de Adriane Lopes transformou Campo Grande em uma colcha de retalhos, que não protege porque está cheia de buracos, tanto nas ruas como nas finanças. Tem gente lucrando, apesar disso. E é aquele grupinho dos “mais chegados”, os sortudos, os apadrinhados, como os felizes comissionados e clientes da folha secreta, que de 30 em 30 dias, chova ou faça sol, enchem as suas sacolinhas.
Os dois últimos orçamentos municipais (2025 e 2026) são mais de R$ 13 bilhões, garantidos basicamente pelos impostos. Manutenção não há, serviço público que preste ninguém sabe, saúde e transporte coletivo de qualidade ninguém viu. Porém, se contribuinte paga, dinheiro entra, dinheiro tem.
E a cidade? A cidade? Ora, a cidade! É o de menos. Calote nela!