Levantamento do Radar Verde aponta baixa transparência e falhas no controle do desmatamento no Cerrado entre empresas de MS.

Dezoito das 21 empresas frigoríficas avaliadas em Mato Grosso do Sul receberam nota zero no Radar Verde, ranking inédito que mede o desempenho socioambiental e o compromisso com o combate ao desmatamento no Cerrado. Os dados foram divulgados pelo portal Campo Grande News e revelam um cenário preocupante para a cadeia da carne bovina no Estado.
O levantamento analisou unidades distribuídas em 19 municípios sul-mato-grossenses e identificou problemas graves de transparência e monitoramento, especialmente no que diz respeito ao controle sobre fornecedores indiretos — etapa considerada crítica para rastrear a origem do gado e evitar a compra de animais criados em áreas desmatadas ilegalmente.
Apenas três empresas escaparam da pontuação mínima. A Minerva S.A. obteve a melhor nota do Estado, com 38,32 pontos, seguida pela JBS S.A., com 37,74 pontos. Ainda assim, ambas foram classificadas na categoria de baixo compromisso contra o desmatamento, o que evidencia que nem as melhores colocadas atingiram patamares satisfatórios de controle ambiental.
O resultado é relevante para Mato Grosso do Sul, um dos maiores produtores de carne bovina do país e cuja economia depende fortemente do agronegócio. A ausência de mecanismos eficazes de rastreabilidade expõe o setor a riscos comerciais e reputacionais, especialmente diante de exigências crescentes de mercados importadores europeus, que já debatem restrições à entrada de produtos ligados ao desmatamento.
O Radar Verde é um instrumento de avaliação que cruza dados públicos e declarações das próprias empresas para medir o nível de comprometimento com práticas sustentáveis na cadeia produtiva da carne.

Pesquisa
Segundo a classificação do Radar Verde, a pontuação varia de 0 a 100. As notas acima de 90 indicam grau “muito alto” de compromisso contra o desmatamento. Pontuações entre 70 e 89 são consideradas “altas”; entre 50 e 69, “intermediárias”; entre 30 e 49, “baixas”; e abaixo de 29, “muito baixas”. Nenhuma empresa avaliada no Cerrado alcançou os níveis intermediários, altos ou muito altos.
Os índices indicam o nível de comprometimento das empresas frigoríficas na prevenção do desmatamento associado à produção de gado. A nota considera tanto as políticas e metas ambientais adotadas pelas companhias quanto a capacidade de monitorar fornecedores diretos e indiretos ao longo da cadeia produtiva.
O relatório também mostra que nenhuma das empresas avaliadas respondeu ao questionário enviado pelo Radar Verde para complementar informações sobre práticas de monitoramento e controle de fornecedores de gado.






