Chamam de rombo o que pode ter outros batizados.
Para início da abordagem, é essencial publicar o trecho de abertura de matéria jornalística produzida e publicada pelo portal “O Jacaré” na última quarta-feira (13/05).
“Adriane Lopes mais que triplicou o gasto com a manutenção das vias públicas, mas não impediu a explosão na quantidade de buracos na Capital. Conforme o Portal da Transparência, o gasto médio anual saltou de R$ 13,5 milhões, na gestão Marquinhos, para R$ 46,3 milhões no mandato da atual prefeita. Alvo da ‘Operação Buraco Sem Fim’, a Rial foi a beneficiada pelo maior repasse”.
Feita a leitura, a análise e às pertinentes conclusões, Adriane faz parte de um ciclo de poder político e administrativo iniciado no dia 1º de janeiro de 2017, ela sendo a vice do prefeito Marquinhos Trad. Em 2020 a dupla foi reeleita para cumprir mais quatro anos de mandato, só que em abril de 2022 ele renunciou ao cargo, candidatando-se ao governo, e ela, então em caráter definitivo, assumiu a titularidade.
Desde a primeira investidura já lá se vão mais de nove anos. Algumas mudanças aconteceram. Marquinhos saiu do MDB, se elegeu vereador pelo PDT e agora é do PV.
Adriane saiu do Patriotas e migrou para o PP. Porém, há coisas que continuam as mesmas, sobretudo na qualidade – ou falta de – política e administrativa da gestão. Pouco ou nada mudou entre ele e ela com a caneta politica – e financeiramente – mais poderosa do município nas mãos.
Fiasco! Vergonha! E outros adjetivos semelhantes, que possam dar a ideia do caos que este ciclo impôs aos campo-grandenses. E não é somente na política e na governança. O desastre é também ético.
A prefeita, em triste e decepcionante protagonismo, consegue piorar o que de bom se esperaria de alguém com sua formação, tanto na educação familiar como na religiosa e escolar.
Há denúncias na polícia, no Ministério Público e na imprensa de episódios que mancham qualquer ambiente, político ou não, protagonizados por assessores recrutados a dedo pela gestora. Desde servidores graduados praticando abusos sexuais e a violência de gênero à farra de contratações beneficiando “irmãos” e “irmãs” da mesma fé religiosa, à folha secreta para drenagem de recursos públicos e ao desvio de verbas públicas para obras fantasmas, sobram escândalos.
A denúncia de “O Jacaré”, cujo trecho está na abertura deste editorial, é gravíssima. Mais de R$ 113 milhões drenados em operações fraudulentas, conforme a força-tarefa que realizou a Operação “Buraco Sem Fim”.
Que as autoridades façam seu trabalho, com a isonomia habitual, para saber se há ou não digitais de duas gestões, as de Marquinhos Trad e Adriane Lopes. E, se houver, qual o tamanho e a extensão de cada uma.
O que não dá é continuar esticando a paciência até o infinito. Porque o benefício da dúvida e a presunção de inocência, legitimas garantias, legítimos direitos, quando se alongam, protelados, sem o definitivo despacho julgador, tornam-se repasto da impunidade.