Terceirização de mandatos na pauta
A prefeita Adriane Lopes tentou empurrar “goela abaixo” dos campo-grandenses um projeto de terceirização que, a bem da verdade, colocaria o sistema público de saúde do município sob um controle de modelo privado, o tal de Organização Social (OS). Não conseguiu.
A Câmara de Vereadores, por maioria, derrotou a esdrúxula intenção da prefeita e livrou a saúde local de afundar mais ainda. Insatisfeitas com o fracasso da tentativa com a saúde, os grupos políticos que apoiam propostas estapafúrdias, típicas do desgoverno, entram em cena com a ideia de privatizar as escolas da Rede Municipal (Reme).
Mais uma tentativa mercantilizar um serviço público embora a questão central seja outra: a incompetência da gestão.
Quando o prefeito ou prefeita de uma cidade se dispõe a entregar a gestão de serviços públicos como a saúde ou a educação ao controle da iniciativa privada, é necessário e também é lícito que se desconfie.
Pois, pior do que confessar a incapacidade de cumprir uma atribuição que lhe compete jurídica, política e constitucionalmente, o gestor ou gestora está fugindo de sua obrigação, escondendo-se de sua responsabilidade e assim, deixa ao “Deus dará” a cidade que deveria governar.
Seria de bom alvitre, então, que Adriane Lopes, num ato raro de coragem, próprio de pessoas que não se deixam escravizar pela vaidade e pelas ambições fúteis, terceirizasse o mandato.
Ela foi eleita por cidadãos e cidadãs que acreditaram em suas palavras e promessas, gente de boa fé que em suas mãos entregaram um cheque em branco para conduzir os seus destinos, abraçar os seus sonhos, assumindo para isto os desafios pertinentes, sem transferir tal delegação a terceiros.
Privatizar a educação é tão ruim e retrógrado como privatizar a saúde. É substituir o lucro social e humanista pelo lucro financeiro, é tirar do povo um acesso que lhe cabe como direito coletivo e gratuito, substituindo-o pelo tilintar das caixas registradoras, a trilha sonora da vantagem mercantilista do “dá ou desce”, do “ou paga ou não tem”.
Sem apelação, prefeita Adriane, mas sem condescendência: ou a senhora entenda que está chegando à metade do segundo ano do segundo mandato e precisa começar a governar ou procure exercer as verdadeiras vocações profissionais que, segundo seu currículo, são de excelência e não precisa prestar contas a ninguém.