Escolher bem, para não se arrepender
Votar faz bem. Primeiro, porque é um exercício democrático, e por isto é bom e saudável para o melhor regime político e de governo criado pela humanidade. Poderia ser também, em toda e qualquer circunstância, um exercício agradável e realizador para aqueles que votam entretanto, muitas vezes esta não é uma verdade absoluta.
O voto está sempre situado entre duas sensações, uma no antes e a outra no depois do ato de votar. No antes, vai-se às urnas com esperança, confiança, acreditando no programa ou na candidatura que se escolheu. E estes sentimentos somente sobreviverão se no depois do voto a escolha e o escolhido justificarem a confiança depositada pelo eleitor. E é aí que mora o perigo.
Votar é uma aposta. Como nas pesquisas de opinião pública, trata-se de um investimento espontâneo que se faz na dualidade entre a certeza pessoal de quem escolher e a probabilidade humana de o escolhido ser de fato digno desta preferência.
Apostas, teoricamente, devem ser feitas com plena convicção de que se está apostando no que é melhor para si e, no caso da política, para a sociedade.
Infelizmente, muitas escolhas feitas com esta convicção acabam se tornando decepções, frustrando o eleitor. A democracia ganhou folego, mas quem a mantém pelo voto experimenta a dor causada pelas escolhas mal feitas. O eleitorado campo-grandense sabe muito bem o que é isto, em especial as pessoas que votaram para reeleger uma prefeita considerada hoje a pior de todas as capitais brasileiras.
Outubro vem aí e com ele a lição da amarga experiência de quem depositou sua boa fé nas urnas em 2025, sem saber que estava dando “carta branca” a que cometeria o maior desastre administrativo e político da história local.
O voto precisa ser bem avaliado para que o erro não se repita, como aconselhou esta semana um radialista comentando a renhida disputa por uma das vagas do Senado.
No comentário, espelhando o que sinalizam as pesquisas, desenha-se o reconhecido favoritismo para um dos candidatos, habilitado por sua larga e vitoriosa experiência na vida pública, assinalada por realizações marcantes em prol do conjunto da sociedade.
A outra vaga tem a disputa de candidaturas com perfis e históricos distintos, cabendo aos eleitores a decisão sobre quem escolher.
A liberdade de escolha, inquestionável, pressupõe também o uso de critérios como sensatez, sensibilidade, olhar edificador e sobretudo, responsabilidade e conhecimento de causas, de pessoas e históricos de cada pretendente. O Senado não é uma pracinha ou uma roda de amigos.
É um centro de excelência de decisões políticas que impactam a vida de todos os mais de 210 milhões de habitantes do País.
O mandato senatorial impõe ao seu titular um dote compatível com o tamanho e a profundidade da investidura. São oito anos de complexos desafios e, por isto mesmo, entre 81 eleitos, não chegam a duas dezenas os que se sobressaem pela qualidade de seu protagonismo.
Nesta casa congressual, portanto, gente com vocação para a vida pública e gente de passagem, aventureira, plantada pelo poder financeiro ou midiático, tal como na Campo Grande que foi às urnas em 2024.
Já diz o velho e sábio ditado: o tombo de quem tropeça duas vezes na mesma pedra é o mais difícil pra se levantar.