Prefeita confessa que não conhece a cidade
Das duas uma: Adriane Lopes não conhece a cidade que governa ou então suas palavras são tais quais uma pena solta no ar, voam para onde o vento soprar.
É um desgoverno, portanto. Uma gestão à deriva, realidade confessada pela própria pessoa que foi eleita e depois reeleita para comandar os rumos de Campo Grande.
A confissão desta vez tem como ponto de partida a inacreditável decisão da prefeita de lançar um aplicativo para, em resumo, recolher as queixas e denúncias dos campo-grandenses sobre problemas que mais os afligem.
O citado mecanismo é descrito pela prefeitura como um canal de denúncia para informar transtornos cotidianos, como terrenos baldios, mato nas calçadas e descarte irregular de lixo. É uma providência supimpa, que seria magnífica se a prefeita não estivesse no poder desde 2017! Ela era vice de Marquinhos Trad, porém participava e usufruía das benesses do reinado municipal. Era uma vice que mandava e desmandava.
Tinha generoso espaço na gestão, inclusive com o controle absoluto da Secretaria de Assistência Social, onde enfiou uma legião de “irmãos” e “irmãs” da sua igreja para compensar os árduos trabalhos de cabos eleitorais.
Vice de 2017 até março de 2022 e prefeita daí em diante são nove anos inteiros de poder – e a prefeita ainda precisa recorrer à Internet para ficar sabendo onde estão os buracos e o matagal nas calçadas.
Ora, ora, a buraqueira está em toda parte, no centro e na periferia, assim como o lixo e o caos nos serviços públicos sob responsabilidade da prefeitura.
Se o objetivo do aplicativo é facilitar o diálogo com os munícipes, a prefeita deveria saber primeiros em que lugar incerto e desconhecido descartou a promessa da gestão transparente e participativa, prometida e cantada para pedir votos em campanha.
Conhecer a cidade não significa apenas habitá-la. É essencial viver a cidade, dialogar com ela, carregá-la dentro de si e assumir as responsabilidades para tratá-la com o amor e os cuidados necessários.
Mas é preciso torcer ou acreditar que cedo ou tarde alguma coisa vai dar certo neste desgoverno. Tapar buracos, de repente, pode ser uma gota d´água para abrir novos caminhos.
Que tal começar então tapando os buracos nas finanças municipais? É fácil, basta cortar penduricalhos e sinecuras ofertadas aos sortudos da corte e honrar os compromissos que estão pendentes.
E nem precisa de dicas da população pela Internet. Os buracos do erário são muito bem conhecidos.