Um enigma senatorial desafia o palanque da direita
Um dos enigmas deste período pré-eleitoral em Mato Grosso do Sul é o desafio do bloco pró-Flávio Bolsonaro e Eduardo Riedel para preencher a chapa das candidaturas ao Senado.
O primeiro nome, ou o primeiro voto, está definido: é o ex-governador Reinaldo Azambuja. A escolha, consolidada por toda a base Bolsonarista, foi carimbado pelo próprio pré-candidato à Presidência da República pelo PL.
Como estarão em disputa duas vagas senatoriais, falta definir o segundo nome ou segundo voto. O PL ainda não se decidiu e, segundo Flávio Bolsonaro, as pesquisas é que embasarão a escolha.
Trata-se de uma solução que, a bem da verdade, pode resvalar em equívocos. Um deles é a imprecisão sobre quais e quantas pesquisas serão feitas e qual o prazo para fazer a média das intenções de voto.
O segundo equívoco é deixar um critério estanque ser a balança que pesará na decisão. Só os números de pesquisas não são suficientes ou não servem de garantia para o jogador entrar em campo.
Antes de o apito autorizar, são indispensáveis outros lastros ao competidor, entre os quais o seu perfil para esse nível de disputa, seu histórico, sua capilaridade, sua densidade política e eleitoral.
Rigorosamente, sem paixão, e sem subestimar quem quer que seja, os dois nomes do PL que almejam a segunda vaga na chapa senatorial não têm ainda os acúmulos meritórios necessários para entrar num jogo com os votos de apenas uma ou duas campanhas, sem ter para oferecer à sociedade – e, sobretudo, ao eleitorado – muito mais do que tiveram nas urnas.
Bater recordes de votação é um feito espetacular, porém estanque, porque se esvazia quando se anuncia o resultado e as urnas são fechadas. O que se faz e o que se fez a partir do dia seguinte com estes votos e a delegação que eles proporcionaram será a próxima e atualizada medida.
O mandato, sim, é medido pela sociedade, que avalia qual o papel, qual o serviço e qual o ganho que a consagradora votação propiciou ao povo, ao Município, ao Estado, ao País.
Proposições, iniciativas, ideias supérfluas, algumas risíveis, outras medíocres, não contam mérito.
Fazer dos mandatos o mais do mesmo não capacita um eleito a alçar novos voos mirando maiores alturas. O tombo terá sido estrondoso, fazendo cair consigo todo um conjunto de pessoas, programas, partidos e projetos que confiaram numa decolagem que mal saiu do chão.
Em suma, a pesquisa não pode ser desprezada. É essencial, útil, e tem validade como elemento importante para a definição. Contudo, é um elemento apenas. Há outros.
Os serviços prestados, a consistência e a durabilidade desta prestação, os resultados efetivos de custo-benefício para a população figuram entre os recortes habilitadores que os dados matemáticos e frios de uma pesquisa não detalham.
É este enigma que os organizadores do palanque do PL precisam decifrar. Para decidir com a lógica da conjuntura, e não do pontual.
Para alinhar a probabilidade aritmética à sensatez da estratégia e à sabedoria da simplicidade.
O tempo está passando e no flanco adversário a linha de frente já está pronta, estabelecida e de armas azeitadas para o embate.