Sinceridade: A campeã dos rombos assume a incompetência
Sinceridade. Ao menos este predicado há que ser reconhecido e decantado na prefeita Adriane Lopes, ainda que se manifeste em determinadas e raras ocasiões. E aqui o comentário é sobre uma ocasião específica, na qual a gestora progressista confessou a sua incapacidade para ocupar o cargo, embora tenha sido eleita e reeleita.
É difícil dizer se a confissão foi voluntária, involuntária ou fruto de uma distração; mas foi uma confissão, pública e firme, transformada em material publicitário, divulgado pelo portal oficial da prefeitura, nos diversos veículos jornalísticos e redes sociais.
Antes de comentar seu conteúdo, é necessário reproduzir, na íntegra, seu teor.
Informa o portal, em notícia do dia 20 de março último: “Em três meses a prefeitura de Campo Grande alcançou a marca de 112.197 buracos tapados, durante ações intensificadas de manutenção viária. Nos períodos de estiagem o avanço do trabalho refletiu em cerca de 2 mil buracos tapados por dia. Em março, o ritmo se manteve acima de 1.800 reparos diários”.
O feito obreirístico é elogiável, não há dúvidas. Estão de parabéns os operários que derramaram suor e habilidades para realizar empreitada de tamanho fôlego. Mas o que espanta – e aí se apresenta a sinceridade da prefeita – é o fato de existir na cidade tantos buracos assim. São quase 113 mil, e localizados em alguns pontos da cidade, porque, segundo a prefeitura, “as equipes priorizam inicialmente as vias de maior fluxo, seguidas pelos acessos aos bairros e, na sequência, as ruas internas”.
Isto significa que a buraqueira é bem mais numerosa e todo mundo que mora em Campo Grande sabe disso. E significa também que a safra de crateras vem de muito tempo, atravessou a gestão anterior e chegou a esta sem solução.
A prefeita está no poder desde 2017 (cinco anos e três meses como vice e desde abril de 2022 na titularidade) e vangloria-se de em três meses ter feito um serviço que deveria estar pronto com ou sem chuva.
Na semana que passou o secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos afastou-se do cargo para cumprir a legislação eleitoral. Pretende disputar mandato eletivo, sabendo que um dos temas proibidos para seu discurso de campanha é a manutenção urbana, pois terá uma gigantesca dificuldade em responder questionamentos para os quais as justificativas são muito pobres.
Da mesma forma, a prefeita que o escolheu para resolver grandes e pequenos problemas terá seu papel de “cabo eleitoral” implacavelmente afetado, sobretudo pela inconformada e ferida população que em sua gestão tem comido o pão que o diabo amassou em matéria de inépcia e desgoverno.
Mas no frigir dos ovos, ainda resta algo de positivo, que é a sinceridade da prefeita, ao assumir que não tem vocação e nem talento para exercer o cargo.
O poço em que caem as sinceridades de ocasião também é um enorme e profundo buraco.