O PP e o seu Calcanhar de Aquiles
Numa disputa eleitoral o jogo é pesado e não raramente a troca de disparos acusatórios acaba fazendo suas vítimas.
Um sábio ensinamento popular adverte: o denuncismo nem sempre elege seu autor, mas quase sempre derruba os denunciados. E quando a denúncia se configura em um contexto de verdade inquestionável, deixando de ser apenas “intriga de oposição” para ser uma fotografia da realidade, seus efeitos são mais poderosos e imediatos.
Por estas e outras o PP (Partido Progressista) corre sério risco na próxima disputa eleitoral. Um risco que em princípio vai influenciar os eleitores de Campo Grande – e, por extensão, pela velocidade e pelo impacto que as coisas deste gênero causam nas redes sociais, o risco pode afetar também o desempenho eleitoral do partido no restante de Mato Grosso do Sul.
Este risco tem um nome: Adriane Lopes. Seu mandato poderia ser dos mais profícuos para os munícipes. Bastava ter vontade verdadeira para isto. Bastava ter humildade pra reconhecer que não se governa só com seus achismos, que cuidar de uma cidade é ter olhares para todas as pessoas, credos, raças, ideologias, origens, escolhas.
Bastava, sobretudo, ter humildade, fazer a sincera autocrítica e reconhecer que o discurso não tem valor quando é apenas discurso.
O PP corre sim, um risco muito grande de ser contaminado pelos desgastes e pela falta de credibilidade de uma filiada de luxo que é a pior prefeita das capitais brasileiras.
Aí estão as pesquisas locais e nacionais anunciando a vergonhosa realidade a que foram submetidos os habitantes desta cidade. De todas as 26 gestões avaliadas, a dela é a 26ª colocada no ranking. a última, a lanterninha.
Em sentido figurado, comete “suicídio” eleitoral e político quem estiver num palanque com ela pedindo votos.
Impopularidade, rejeição e reprovação popular são politicamente infecciosos. No caso de Adriane Lopes, o fracasso de seu mandato já impacta o interesse de partidos e forças aliadas que necessitam de uma aliança com o PP.
Faltará neste palanque um discurso capaz de atrair a confiança e os votos de um eleitorado ferido, decepcionado e sofrendo diariamente com o caos de uma cidade maltratada, serviços públicos precarizados e, por outro lado, assistindo um poder municipal perdulário, empreguista e envolvido em manobras subterrâneas, como a da folha secreta.
O PP tem o que mostrar, mas precisará esconder Adriane Lopes, seu calcanhar de Aquiles.