A boca é torta e o cachimbo é o mesmo
Matusalênico, porém atualíssimo, é aquele ditado que sentencia: o uso repetido do cachimbo entorta a boca. E ele vale para definir diversas situações do dia-a-dia dos humanos, de suas comunidades e gestores.
O caso de Campo Grande serve de exemplo. Por sinal, péssimo exemplo.
Assim como o cachimbo entortador de bocas, a prática recorrente de erros, omissões e pixotadas da gestão campo-grandense há mais de uma década vem expelindo fumaças tortas, principalmente neste ciclo da dupla Marquinhos Trad-Adriane Lopes.
Por incrível que possa parecer, ela fazendo pior que ele a cada dia que passa.
Entre tantos descalabros que enxovalham esse desgoverno, agora sobressai um que pode ser eleito um campeão da vergonha política local, tendo como protagonistas o olhar condescendente da prefeita e a cara-de-pau de assessores de primeiro escalão apanhados com as mãos e a língua fazendo o que não deviam.
Um dos assessores apalpou maliciosamente o órgão genital de um jovem fragilizado pelo consumo de álcool, enquanto o outro descarregou sua fúria de machistóide em violentas agressões verbais e psicológicas contra a amante.
Ambos, que deveriam dar exemplo de conduta em cargo público, contaram com a condenável indulgência da chefe maior, Adriane Lopes, a prefeita.
Num dos casos, a condescendência fechou os olhos ao criminoso assédio e premiou o apalpador com uma licença de 60 dias, talvez para descansar fora do alcance da repercussão que já o lançou no esgoto da vida pública.
No caso do macho alfa, espancador de amante e de esposa a quem jurou lealdade eterna – infidelidade matrimonial também é um ato de covardia, portanto, de violência, o valentão viu-se impelido a pedir exoneração do alto posto que ocupava.
Estas ignominiosas ocorrências já eram denunciadas desde que Marquinhos era o titular e Adriane a vice. E continuaram acontecendo, porque seus adeptos sentem-se estimulados ao encontrarem as portas escancaradas e a sensação de impunidade disponível.
Afinal, política tem moedas de troca quando é hora de receber apoio e voto. Em razão disso, os garanhões e fiéis da misoginia sentem-se intocáveis.
No mês em que se comemora o Dia da Mulher (08 de março), a gestão de Campo Grande deu à população feminina um “presente” de mau gosto e cruel simbolismo: a fumaça expelida pelos cachimbos dos homens de boca torta, talvez para que elas não se levantem contra a prepotência, os abusos e a violência deles.

