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Campo Grande, 17 de agosto de 2026
editorial

Quem dá mais paga muito

  • Geraldo Silva
  • março 2, 2026
  • 5:46 am
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Quem dá mais paga muito

Leilão é uma espécie de negócio de aquisição, com as pontas de venda e de compra e, quase sempre, por meio de intermediários. Seus primórdios datam da Antiguidade. A prática perdura até hoje, podendo ser feita de três formas, duas legais (judicial e extrajudicialmente) ou por baixo dos panos, no célebre “escurinho da madrugada”.

Na política também existe o leilão: De candidaturas, de cargos, de votações. Indícios, suspeitas ou convicções sem provas não passam de ilação e jamais devem ser tomados como fatos consumados.

Contudo, custa nada invocar aquela antiga e sábia sugestão popular: yo no creo en las brujas, pero que las hay, hay – ou: não creio em bruxas, mas elas existem.

Dois casos recentes colocam no olho do furacão lideranças com mandato em Mato Grosso do Sul, de acordo com a “Folha de São Paulo”.

Segundo o jornal, o senador Flávio Bolsonaro teria insinuado em – bilhete feito a mão – que o deputado federal Marcos Pollon e a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, pediram R$ 15 milhões e R$ 5 milhões, respectivamente, para desistirem de suas candidaturas a cargos eletivos este ano.

Pollon anunciou pré-candidatura ao governo e Gianni ao Senado. Ambos são do PL, assim como Flávio, pré-candidato à presidência da República. Ele nega a informação da “Folha”, mas não apaga a sombra de suspeita causada pela publicação.

Chama a atenção o contexto onde se encaixam Pollon e Gianni. A dupla sabe que suas pré-candidaturas fazem o PL rachar as forças de direita e do Bolsonarismo, que se agrupam para apoiar os nomes do governador Eduardo Riedel à reeleição e do ex-governador Reinaldo Azambuja ao Senado.

A outra candidatura ao Senado teria como primeira opção, em um arco ampliado de alianças, o senador Nelsinho Trad (PSD), que depende ainda da decisão do seu partido sobre a chapa presidencial, já que tem o governador goiano Ronaldo Caiado de pré-candidato.

Os candidatos de direita que não avançarem ao segundo turno juntar-se-iam para fortalecer ainda mais o bloco direitista.

Mas Pollon e Gianni não pensam assim. Mexem apenas com seus botões, só querem saciar o próprio estômago no pomar eleitoral.

Não se importam em prejudicar o conjunto, agridem a sensatez e pouco se dão aos estragos que serão causados por uma direita dividida e conflagrada.

A lei do “eu por mim e todos que se virem” é uma poderosa colaboração com o projeto de poder dos adversários.

Era sobre este cenário de risco que Flávio Bolsonaro queria alertar ao comentar o tal bilhete. E agora, o caldo ganha novo tempero, com a carta do ex-presidente, divulgada pela ex-primeira-dama, Michelle, na qual Bolsonaro “indica” ou “autoriza” o deputado divisionista a disputar o Senado.

Durma-se com um “silêncio” desses.

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