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Campo Grande, 19 de agosto de 2026
editorial

Brincam com coisa séria e se lambuzam no lodo

  • Geraldo Silva
  • fevereiro 18, 2026
  • 4:50 am
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Brincam com coisa séria e se lambuzam no lodo
Já transformado de secretário de Governo e Relações Institucionais da Prefeitura de Campo Grande em primeiro-ministro de uma gestão que não gere, o boa praça Ulisses Rocha tenta cumprir da melhor maneira a missão espinhosa e ingrata – para não utilizar o termo “impossível” – de tranquilizar e aquietar homens e mulheres que carregam esta cidade nas costas.
Ser boa praça é louvável, é meritório, mas não resolve quando se descuida dos deveres e não se cumpre obrigações.
São mais de 950 mil pessoas, quase um milhão de gente desvalidada por causa de um governo municipal sem norte, sem sul, sem leste e nem oeste.
À deriva e avariada, a gestão de Adriane Lopes agora parece que vai metamorfosear, virar a obra miraculosa, sobrenatural, que, segundo o secretário, vai demonstrar por “a” mais “b” que esta capital tem jeito.
É, de fato, jeito tem sim, mas só depois de quatro anos, com novas eleições e a chance de ir à forra contra a traição das urnas.
O mais revoltante é assistir entrevistas nas quais a prefeita ou seus imediatos, em flagrante desprezo à capacidade crítica e às inteligências da população, tentam maquiar a realidade, criando expectativas fantasiosas, agarrando-se em argumentos bisonhos.
O secretário e primeiro-ministro da corte Adrianista resume toda a panaceia do escândalo do IPTU com um recurso falacioso, afirmando que o reajuste nas alturas tem base legal.
Ou o distinto assessor da prefeita é o iluminado gênio que andava perdido em alguma lâmpada e veio brilhar na apagada gestão de Adriane ou os desembargadores, juristas, tributaristas, matemáticos e personalidades consagradas no entendimento jurídico-constitucional não passam de uns mentirosos.
As manobras da prefeita para inflar o reajuste do IPTU não consideram o princípio pétreo de toda e qualquer política tributária, que é respeitar a capacidade de pagamento do contribuinte, caso contrário terá sido praticada flagrante extorsão.
Não há mais como acumular argumentações lógicas, algumas até prosaicas, para atestar o equívoco ou a má fé que norteia a gestão desta cidade desde o primeiro dia de seu mandato.
Pode não ser maldade, mas não está longe disto. Cultiva-se o absurdo e o desproposital para fazer do poder uma brincadeira de mau gosto, da qual só acham graça aqueles e aquelas que chafurdam na mentira e na inépcia.
A coisa é séria, é triste, é de doer. Não há como sorrir e acreditar na promessa esvaziada pela atitude de quem apregoa limpeza gerencial chafurdando-se no lamaçal da incompetência. E 2028 ainda está longe.
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