O PL optou por passos firmes
Um dos partidos mais representativos do Brasil, com maioria ampla no Congresso Nacional e uma multidão de deputados estaduais, prefeitos e vereadores, o PL terá nas próximas eleições alguns desafios de indiscutível importância, cujos resultados serão vitais ao seu futuro.
Primeiro, eleger o presidente da República e a maioria dos congressistas do Senado e Câmara dos Deputados, porque sem isto a governabilidade se complica.
Também de elevada importância será o desafio das eleições nos estados, com seus candidatos aos governos e assembleias legislativas. E neste bojo, uma responsabilidade adicional: servir como alicerce para as forças partidárias que recrutar na composição das suas alianças.
Não é uma tarefa simples, apesar da força indiscutível do bolsonarismo e, em geral, de toda a direita e conservadores brasileiros. O jogo será dos mais acirrados.
Os adversários são Lula, o PT – legenda de poderosa militância – e um campo de parcerias reunindo basicamente forças que se opõem ao bolsonarismo: a esquerda, o centro e até parte da direita.
Adicione-se a este tabuleiro, o fato de o PT ser governo, ter nas mãos instrumentos de efeito decisivo para sensibilizar e mobilizar o eleitorado. Mesmo com os erros de costume, a máquina do Planalto tem um peso diferenciado e é decisivo.
Neste contexto, o PL de Mato Grosso do Sul pode ser uma das bases efetivas para a direita avançar mais em competitividade e inserção popular. Ganhou esta condição quando acolheu Reinaldo Azambuja e saiu de uma posição contraditória que o prejudicou: a falta de unidade.
O partido foi relativamente bem nas eleições de 2022, ao eleger deputados federais e estaduais. Mas perdeu a disputa governamental para o PSDB, uma sigla do mesmo campo, conservador.
A vitória do PSDB se deveu a dois fatores determinantes: o êxito das gestões tucanas e a sua estratégia de organização e fortalecimento, conjunturas lideras por Azambuja.
Foi ele, ao fazer de Eduardo Riedel o seu candidato, o responsável pela derrota impingida ao PL, que, por sua vez, perdido no meio de vaidades pessoais e indefinições primárias, não conseguiu sequer lançar o próprio candidato à sucessão.
Hoje, o PL guaicuru estaria praticamente condenado eleitoralmente a continuar na mesma em que estava há quatro anos, ou perder terreno para outras forças da direita, como o PP de Riedel e Tereza Cristina – o que só não deve acontecer porque o quadro já muda radicalmente com Azambuja. Só em sua filiação o ex-governador levou centenas de líderes municipais, incluídos mais de 20 prefeitos.
Outras lideranças – políticas, empresariais, religiosas e de diversos segmentos – estão chegando. Mais relevante ainda: o partido já começa a viver uma realidade organizacional que não tinha, elogiada em todos os municípios e reconhecida até por Jair Bolsonaro. Foi ele, o ex-presidente, quem convidou Azambuja para assinar a ficha do PL e realizar esta obra de revitalização e crescimento para avançar.
Há quem, dentro da própria sigla, não faça esta leitura e até esteja tentando impedir que seja assimilada pelo conjunto dos filiados. Inútil a tentativa.
São legítimas as intenções de contestar e de divergir. Mas não deveriam duelar contra a realidade, olhando o próprio umbigo e ciscando para fora.
O fogo amigo só é bom para alimentar os adversários.