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Campo Grande, 19 de agosto de 2026
editorial

Desconfiados queimam a língua por uma causa justa

  • Geraldo Silva
  • janeiro 26, 2026
  • 4:24 am
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Desconfiados queimam a língua por uma causa justa
Por não possuir o dom da adivinhação e amparar-se na lógica, este editorialista começa o texto torcendo contra si mesmo, desejando que os fatos futuros queimem sua língua diante de uma afirmação categórica: a história vai se repetir.
Infelizmente. O anúncio espetacularizado de obras e investimentos que a prefeita Adriane Lopes fez para acalmar a revolta dos munícipes com sua gestão não passa de uma jogada de marketing e por isto mesmo os burros darão n’água como de hábito.
Tomara que esteja enganado e uma nova história seja contada, com fatos verdadeiros, realizações concretas, consistentes e duradouras, e não com um paliativos concebidos para enganar trouxas.
Até porque a prefeita deve contas muito elevadas para colocar sua gestão em dia com as suas promessas mirabolantes de campanha. Além de estar devendo medidas e investimentos novos, ela tem um gigantesco débito de demandas que se acumulam mês a mês, com a cidade indo de mal a pior.
A planilha de obras e a propaganda são perfumadas, bonitinhas e adornadas por um discurso ufanista, próprio dos “salvadores da Pátria”.
A prefeita garganteia investir R$ 544 milhões com asfalto e drenagem em 40 das centenas de abandonados bairros campo-grandenses.
Porém, é inevitável a acareação entre as realidades e, delas, extrair os fatos de hoje e traçar as possibilidades do amanhã. Nada mais justo e sensato do que confiar desconfiando, diante do histórico desta gestão.
Ao fazer o anúncio, a prefeita proclamou estar dando uma “grande notícia”. E aí foi ao requinte, como se já tivesse o paraíso na tinta de sua caneta, trombeteando: “O asfalto muda a vida das pessoas, valoriza os imóveis e traz dignidade para quem vive nesses bairros”.
Concordo. Mas é preciso esperar que isto aconteça. Asfalto e drenagem são apenas duas das grandes necessidades da população que ainda não foram preenchidas. E falta muito mais para um atendimento digno à sociedade.
São obras que trazem, sim, dignidade. Mas enquanto estes dias não chegam, continuam no cenário os escorchantes valores do IPTU em uma cidade esburacada e inundável, a perda da gestão do Hospital Regional, a devolução de recursos federais por falta de projetos, a “folha secreta” de finanças inadimplentes, os serviços caóticos na saúde, no transporte e na rede de infraestrutura, o empreguismo, o compadrio e “outras cositas mas”.
Então, é inevitável questionar: que garantias concretas oferece uma gestão endividada e perdulária como a de Campo Grande para executar esta ambiciosa planilha? Outro questionamento natural: como confiar na palavra empenhada por uma gestora, que fez toda a campanha vendendo fantasias e promessas inexequíveis e com mais de um ano de mandato não as cumpriu?
Não há porque temer uma queimadura da língua, desde que seja por uma causa justa.  Assim como este articulista, centenas de milhares de campo-grandenses também estão desconfiados. Ou confiam desconfiando.
Afinal, os votos depositados nas urnas em 2024 podem ser descartados na próxima eleição, quando a confiança popular estará viva, vacinada e renovada para premiar a quem merece.
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