A prefeita ou a cidade: Quem pode mais?
Se Campo Grande continuar do jeito que está, andando para trás, e se o governo do Estado recolher minimamente suas mãos providenciais, o abismo será pouco para servir de destino à cidade. Porque dentro do buraco ela já está. Ou, pior: dentro da buraqueira, de fazer inveja a um queijo suíço.
E entre tantos absurdos debitados na conta impagável da prefeita, acrescente-se um que cai de tabela: o desafio aos órgãos de fiscalização, controle e até mesmo às forças encarregadas de promover as operações que investigam denúncias de malversação de mandato. Pedir o voto foi relativamente fácil, a bordo de uma milionária máquina de fazer aliados. O complicado está sendo honrá-lo, cumprir a palavra dada.
Não há dúvida, portanto, que a digníssima senhora Adriane Lopes, filiada ao PP, mulher evangélica e de família, casada com o digníssimo deputado estadual e candidato à reeleição Lídio Lopes, de peito aberto e sem qualquer acanhamento, está desafiando as autoridades do município em geral. Julga-se a dona da verdade ou que está acima de tudo e todos.
Na gestão da superpoderosa e inalcançável prefeita, a única coisa que falta é acerto. Os erros são tantos e tão sortidos que os espaços para acertar foram preenchidos. A folha secreta para descarregar os cofres da municipalidade em benefício dos interesses pessoais e políticos continua secreta, misteriosa, proibida para menores e maiores de fora do círculo da bajulação e do compadrio.
É de pasmar até os mais acostumados com desgovernos. São ruas com buraqueiras que nas chuvas ficam ainda mais esburacadas; é o caos em um sistema de saúde que sofre horrores na UTI da irresponsabilidade gerencial; é o padecimento inevitável de quem precisa de um transporte coletivo decente e é submetido à humilhação de amargar um péssimo desserviço; são as obras inacabadas, empreguismo, desobediência aos tribunais, inadimplência e contratos sob suspeita.
Ou a prefeita se considera blindada e invulnerável com o apoio da Câmara Municipal ou acredita que o poder de seu mandato é superior às leis e a torna imune aos braços dos órgãos fiscalizadores. Adriane Lopes está contra a cidade, cidadãos e cidadãs. Quem pode mais?