Apesar do bom ritmo de semeadura, clima irregular, pragas e queda no preço preocupam produtores na safra 2025/2026.

Mato Grosso do Sul já concluiu 97,5% do plantio de soja da safra 2025/2026 até o dia 28 de novembro, conforme levantamento divulgado pela Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) nesta quarta-feira (03/12). O total semeado ultrapassa 4,7 milhões de hectares, com destaque para as regiões Centro e Sul, que já superaram a marca de 98% da área prevista.
A área destinada ao cultivo nesta temporada cresceu 6% em relação ao ciclo anterior, reforçando a expectativa de expansão da produção. A produtividade média estimada permanece em 52,8 sacas por hectare, o que pode resultar em uma colheita de aproximadamente 15,1 milhões de toneladas em todo o estado.
O avanço do plantio foi considerado acelerado, com 81% da área sendo semeada em apenas cinco semanas. No entanto, as condições climáticas passaram a gerar preocupação. Mato Grosso do Sul enfrentou, recentemente, um período de tempo seco e temperaturas elevadas, principalmente na região Nordeste, onde os termômetros ultrapassaram os 35°C.
A instabilidade climática está associada à atuação do fenômeno La Niña, mesmo em intensidade moderada, o que pode provocar irregularidade nas chuvas nos próximos meses. Essa oscilação no regime de precipitações representa um risco para o desenvolvimento das lavouras em diversas fases do ciclo.

Segundo o boletim da Aprosoja, as regiões Norte e Centro apresentam as melhores condições até o momento, com 89,9% e 96,6% das lavouras classificadas como em boas condições, respectivamente. Em contrapartida, o Sul e o Sudoeste do estado enfrentam maiores desafios, com 33,2% das lavouras do Sul enquadradas em condição regular, principalmente devido à presença de pragas e ao surgimento de doenças. Mesmo assim, no panorama geral, 93,7% das áreas avaliadas são consideradas em boas condições.
No aspecto comercial, os números indicam desaceleração nas vendas. Até agora, apenas 21% da produção estimada foi comercializada, percentual inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando 29% já haviam sido negociados. A retração acompanha a desvalorização do produto no mercado interno. Em 1º de dezembro, a saca de 60 quilos foi cotada a R$ 126,40, o que representa uma queda de 4,54% no preço médio, refletindo cautela e incertezas entre os produtores.





