Gestão sob riscos ameaça a Capital
A prefeitura de Campo Grande, sem saber nadar, está no meio de um rio profundo de dívidas e tenta se agarrar em qualquer tábua ou tora de madeira que encontrar. O medo de morrer afogada é cada vez mais desesperador, o que preocupa cidadãos e cidadãs descontentes com a esbórnia administrativa que se tornou a gestão de Adriane Lopes.
Inadimplência, dívidas acumuladas, obras sem conclusão, retração drástica de investimentos, corte irrisório de salários graúdos e zero reajuste para os salários miúdos, cidade esburacada, baixa estima da população e um índice de reprovação de 80% – tudo isto, e mais um pouco, sem exagero, é a imagem da Capital de Mato Grosso do Sul em 2025.
Pois bem: segundo informações diárias da imprensa, a prefeita está na fila em busca de um reforço de caixa superior a R$ 500 milhões. Basta que formalize a adesão da prefeitura ao Programa de Acompanhamento e Transparência Fiscal e ao Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF). Estes dois mecanismos foram instituídos pelo governo federal para que estados e municípios com a “corda no pescoço” obtenham empréstimos.
O problema tem duas vertentes, infelizmente ambas desfavoráveis ao Município. Primeiro: a prefeitura não tem condições de liquidez para pagar o empréstimo ainda na gestão de Adriane, que termina em 2028. E segundo: é um risco monumental cair tamanha dinheirama nos cofres de uma administração que vai de pior a pior, e até já foi denunciada de ter desviado recursos exclusivos da Saúde para outras finalidades.
Dívidas de todos os tamanhos sobram na contabilidade municipal. Não estão sendo pagos regularmente, entre outros credores, a Santa Casa, cujo convênio finalizou dia 31 e não foi renovado ainda, e o Consórcio Guaicurus, que tem a concessão do transporte coletivo. O montante, que não é lá essas coisas para uma prefeitura desse porte, deveria estar em um caixa de reserva prioritária, para não deixar a população sem serviços tão essenciais. Hospital é saúde, saúde é vida. Transporte idem.
Por essas e outras, não há como confiar que ao fazer esta operação de empréstimo a prefeita consiga colocar a casa em ordem. É muita, mas muita desordem. Não é só na questão financeira. É no gerenciamento da cidade, nos cuidados urbanísticos, na atenção à saúde, educação, lazer e transporte.
É na falta de transparência, com a manutenção da malsinada folha secreta. É, enfim, na incompatibilidade entre gestão e gestora. Não dialogam. São estranhos um ao outro.
Pobre Campo Grande!

