Com governadores de seis estados para discutir enfrentamento do crime organizado, o governador de MS Eduardo Riedel apontou soluções.

Ao participar ontem, quinta-feira (30/10) da agenda que reuniu sete governadores no Rio de Janeiro para debater o enfrentamento ao crime organizado, o sul-mato-grossense Eduardo Riedel (PP) defendeu uma maior integração das forças de segurança entre os estados, que tenha como suportes centrais o planejamento e a inteligência. O encontro foi motivado pela megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou em 121 mortes.
Sete governadores anunciaram nesta quinta-feira a criação do “Consórcio da Paz”, um projeto de integração para trocar informações de inteligência, prestar apoio financeiro e de contingente policial no combate ao crime organizado.


Riedel descreveu as situações gerais e específicas que enfrenta, uma delas na complexidade para cobrir um estado com territórios tão amplos e abertos que servem de corredores aos criminosos. Mesmo com a competência da Polícia Federal para fazer esse trabalho, as forças do Estado também atuam intensamente nas linhas de fronteiras e divisas. Mato Grosso do Sul tem tem 45 municípios na faixa de fronteira. No total, são 1.520 km fronteiriços com a Bolívia (386 km) e o Paraguai (1.131 km).
Além desses dois limites geográficos internacionais que incluem a chamada “fronteira seca” das cidades gêmas como Corumbá, com a Bolívia, e Ponta Porã, com o Paraguai, o Estado ainda possui 386 km de divisas com Mato Grosso, ao norte; Goiás e Minas Gerais, a nordeste; São Paulo, a leste; e Paraná, a sudeste. No Brasil, a maior fronteira é com a Bolívia, com 3.423 km de extensão, atravessando os estados do Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia.

Experiência
O governador citou as dificuldades e apontou soluções, valendo-se da experiência de gerir um estado fronteiriço. Ele citou a presença de organizações criminosas como o Comando Vermelho e o PCC na região. Sobre a criação do “consórcio da paz”, como definiu Cláudio Castro, governador do Rio e autor da ideia, Riedel aplaudiu a iniciativa (PL), dizendo que a cooperação entre os estados precisa ser fortalecida no dia-a-dia de combate ao crime organizado.
Depois de salientar que organizações como o Comando Vermelho e o PCC (Primeiro Comando da Capital) já desembarcaram no território sul0mato-grossense, Riedel frisou que a segurança pública depende de inteligência, planejamento e investimento. “Foi assim que apreendemos 500 toneladas de drogas por ano. Mas as drogas não ficam aqui, elas têm destino para outros estados. Só a integração propiciará um enfrentamento muito mais eficiente”.
Segundo o governador, segurança pública tem base na inteligência, no conhecimento, no planejamento e no investimento. “Os estados têm feito aportes significativos, mas será muito mais eficiente se integrarmos nossas ações”, advogou. Participaram do encontro os governadores do Paraná, Ratinho Junior (PSD); Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB); Santa Catarina, Jorginho Mello (PL); e Mato Grosso, Mauro Mendes (União). O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, participou de forma remota.
O Rio de Janeiro será a sede inicial do consórcio e vai organizar o processo de formalização do grupo.
De acordo com Castro, a ideia é compartilhar estratégias de combate ao crime. “Faremos um consórcio entre estados no modelo de outros consórcios que existem para que nós possamos dividir as experiências, soluções e ações do combate ao crime organizado”, disse Castro.
Apesar de ser liderado por governadores alinhados politicamente, eles informaram que a intenção é incluir todos os estados da Federação. “Nós vamos perseguir o objetivo de integrar as 27 unidades da Federação, para que a gente troque experiência, empréstimos e material humano, porque nós temos gente qualificadíssima. Para que possamos comprar equipamentos de forma consorciada e enfrentar definitivamente essa onda de violência do Brasil, que não é só do Rio de Janeiro, é de todos os estados”, disse o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello.






