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Campo Grande, 25 de outubro de 2026

Operação Alquimia investiga fábricas clandestinas de bebidas com metanol em MS

  • 16 de outubro, 2025
  • Geral, Polícia, Saúde
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Ação conjunta de órgãos federais ocorre em Dourados, Campo Grande e Caarapó e apura esquema de falsificação com risco à saúde pública.

Receita Federal em local alvo da Operação Alquimia. (Foto: Divulgação).

Fábricas clandestinas e usinas ilegais de bebidas alcoólicas são alvos da Operação Alquimia, deflagrada na manhã desta quinta-feira (16) em Mato Grosso do Sul. As ações se concentram em Dourados, Campo Grande e Caarapó, onde agentes federais buscam identificar a origem de substâncias usadas na produção irregular de bebidas com metanol, componente altamente tóxico.

A operação é coordenada pela Polícia Federal, em parceria com a Receita Federal, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O foco é desarticular uma cadeia de falsificação de bebidas que utiliza metanol, produto que já provocou mortes e casos de intoxicação em várias regiões do país.

Uma das apreensões feitas em Campo Grande durante investigação sobre casos suspeitos. (Foto: Marcos Maluf)

Ao todo, são fiscalizadas 24 empresas de diferentes estados, entre elas usinas, destilarias, importadoras e distribuidoras de metanol. O objetivo é rastrear a origem do produto e cruzar os resultados com amostras já analisadas pela Polícia Federal e pela ANP, a fim de confirmar se há relação com apreensões anteriores.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, quatro casos de intoxicação por metanol estão sob investigação em Mato Grosso do Sul. As vítimas apresentaram sintomas após consumir bebidas supostamente adulteradas. Em nível nacional, o Ministério da Saúde confirmou oito mortes — seis em São Paulo e duas em Pernambuco.

As amostras recolhidas serão enviadas ao Instituto Nacional de Criminalística (INC), em Brasília, onde especialistas farão a análise técnica para mapear a rota do produto ilegal.

Desdobramento de outras operações

A Operação Alquimia é um desdobramento das operações Boyle e Carbono Oculto, que investigaram adulterações de combustíveis com metanol. As apurações anteriores indicam que parte do produto usado no combustível adulterado estaria sendo desviada para a fabricação clandestina de bebidas alcoólicas, ampliando o risco à saúde pública.

A Operação Boyle revelou casos de adulteração de combustíveis com metanol. Já a Carbono Oculto identificou empresas químicas que revendiam o produto para companhias de fachada, responsáveis por desviar o metanol para postos e fábricas irregulares.

Alvos e rotas de desvio

As empresas fiscalizadas foram selecionadas com base no potencial de envolvimento na cadeia do metanol, desde a importação até a destinação irregular. Entre os alvos estão importadores, terminais marítimos, indústrias químicas, destilarias e usinas.

Há indícios de que algumas empresas químicas tenham desviado parte do metanol de sua cadeia de produção, utilizando notas fiscais fraudulentas e caminhões fantasmas para simular entregas. As usinas produtoras e distribuidoras de etanol também estão sendo monitoradas por atuarem em pontos estratégicos da distribuição.

Riscos e prejuízos

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o nível de metanol em bebidas alcoólicas deve ser inferior a 0,1%. A substância é altamente tóxica, e mesmo pequenas quantidades podem causar cegueira, danos neurológicos e morte.

Além do impacto à saúde, o Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) estima que o setor de bebidas alcoólicas perca cerca de R$ 85,2 bilhões por ano em razão de práticas ilegais como falsificação, contrabando e sonegação de tributos.

As fiscalizações da Operação Alquimia ocorrem em 21 cidades de sete estados, incluindo Caarapó, Campo Grande e Dourados (MS); Várzea Grande (MT); Araucária, Colombo e Paranaguá (PR); Cocal do Sul (SC) e diversos municípios paulistas, entre eles Guarulhos, Limeira e Sumaré.

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