Vereadores cobram regulamentação legislativa e secretário interino após criação do órgão gestor por decreto.

A criação do Comitê Gestor da Saúde pela Prefeitura de Campo Grande, por meio do Decreto nº 16.372 em 5 de setembro, passa a abrir um novo capítulo na relação entre Executivo e Legislativo.
Após a exoneração da secretária Rosana Leite, o grupo interino passou a comandar a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), gerindo um orçamento de R$ 2 bilhões — cerca de 36% das receitas do município. A estratégia, no entanto, já enfrenta resistência da Câmara Municipal.
O presidente da Câmara, vereador Papy (PSDB), avaliou a criação do comitê como uma decisão política legítima da prefeita Adriane Lopes (PP), mas ponderou que a mudança estrutural deveria tramitar no Legislativo por meio de um projeto de lei.
“Houve exclusão do cargo de secretária e criação de funções novas,” afirmou Papy, reforçando que tais medidas exigem análise e aprovação dos vereadores.
Na manhã de segunda-feira (08/09), a prefeita Adriane Lopes se reuniu com o Conselho Municipal de Saúde e vereadores da Comissão de Saúde para discutir os próximos passos. O presidente da Câmara, vereador Papy (PSDB), disse que compreendeu a decisão política da prefeita e considerou positivo o convite para que a comissão acompanhe o trabalho do comitê gestor.
O presidente da Comissão de Saúde, vereador Vitor Rocha (PSDB), disse que a reunião com a prefeita foi marcada por cobranças e sugestões. A principal preocupação, segundo ele, é a falta de um nome oficialmente designado para liderar a Secretaria de Saúde.
“Questionamos a prefeita e a equipe jurídica. Eles entendem que o comitê é legal, mas eu defendo que Campo Grande precisa ter um secretário de fato e de direito, mesmo que interino. É uma cidade de quase 1 milhão de habitantes, com mais de 6 mil servidores na Saúde e R$ 2 bilhões de orçamento. É essencial ter alguém à frente 24 horas pensando em soluções”, afirmou o vereador.
Prefeita destaca eficiência e reestruturação administrativa
A prefeita Adriane Lopes defendeu o comitê como parte de uma reestruturação administrativa voltada à otimização do atendimento no SUS.
A gestora coordenadora interina, Ivoni Kanaan Nabhan Pelegrinelli, compactua desta visão e afirma que o comitê atuará de forma proativa, com visitas às unidades de saúde e reuniões diárias para realizar um diagnóstico profundo da rede municipal.
“O comitê não ficará apenas em sala – vamos estudar e agir”, reforçou Ivoni Nabhan.
Críticas dos vereadores e demandas urgentes
O presidente da Comissão de Saúde, vereador Vitor Rocha (PSDB), observou que a ausência de um secretário formalmente nomeado fragiliza a liderança da Sesau e concentra poder excessivo na prefeita.
Rocha destacou a urgência da nomeação de um secretário interino, mesmo que temporário, para lidar com desafios como:
Pressão sobre UPAs e hospitais pela falta de atenção básica,
Regulação de leitos comprometida com o controle estadual do Hospital Regional e da Universidade,
Judicialização frequente de tratamentos,
Filas com mais de 100 mil pessoas aguardando consultas, exames e cirurgias.
Rocha compreendeu o envolvimento da Câmara e do Conselho de Saúde na gestão, mas reforçou que a nomeação de um novo secretário é fundamental para dar legitimidade e foco à condução da pasta.
“Se a prefeita não nomeia alguém, ela acumula o cargo de prefeita e secretária de saúde. E isso concentra uma responsabilidade muito grande em uma única pessoa”, concluiu.
Exoneração e criação de comitê
Rosana Leite atuava na gestão municipal desde o primeiro mandato da prefeita. Entre 2021 e 2022, foi secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19. Em seguida, assumiu como secretária adjunta de Saúde em 2022. Já em fevereiro de 2023, Rosana foi nomeada titular da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), cargo que manteve após a reeleição de Adriane Lopes nas eleições de 2024.
Com a saída da médica da pasta, Rosana foi transferida para a Secretaria Especial da Casa Civil, onde passará a atuar como assessora executiva. O novo cargo é para tratar de articulações entre o Ministério da Saúde e o município.
Sem comando, a Sesau passou a ser liderada por um comitê gestor, formado por servidores que já atuam na estrutura da secretaria. A gestão será dividida por áreas de atuação.
Apesar da formação do novo comitê, a Prefeitura não confirmou quais funções os integrantes ocupavam anteriormente dentro da administração municipal.
Nota na íntegra
A Prefeitura Municipal de Campo Grande informa que, por meio do Decreto n. 16.372, de 5 de setembro de 2025, instituiu o Comitê Gestor da Secretaria Municipal de Saúde, de caráter provisório, com vigência de seis meses com possibilidade de prorrogação, e suas atribuições vão desde ordenar despesas até assinar contratos e gerir o Fundo Municipal de Saúde.
A medida administrativa faz parte do processo de reformas iniciado pela atual gestão, a partir da identificação de ações necessárias para a melhoria no desempenho e eficiência dos serviços prestados à população.
O trabalho do Comitê Gestor da Secretaria Municipal de Saúde iniciou-se nesta segunda-feira, 8 de setembro. Todas as decisões do colegiado serão tomadas de forma coordenada, com a participação efetiva da Câmara Municipal de Campo Grande e do Conselho Municipal de Saúde.
Compõem o Comitê Gestor da Secretaria Municipal de Saúde a gestora coordenadora interina, Ivoni Kanaan Nabhan Pelegrinelli; a gestora de planejamento e execução estratégica, Catiana Sabadin Zamarrenho; a gestora jurídica, Andréa Alves Ferreira Rocha; o gestor de finanças e orçamento, Isaac José de Araújo; o gestor administrativo, Vanderlei Bispo de Oliveira; e o gestor de contratação, André de Moura Brandão.






