Paralisação reúne cerca de 4 mil funcionários. Mobilização parcial mantém serviços essenciais, mas categoria promete continuar pressão até pagamento ser efetuado.

Funcionários da Santa Casa de Campo Grande paralisaram parcialmente os atendimentos nesta terça-feira (09/09) devido ao atraso no pagamento dos salários. A mobilização, que reúne cerca de 4 mil trabalhadores de diversos setores, começou pela manhã no saguão do hospital, onde servidores realizaram protesto em busca de respostas sobre a previsão de depósito.
De acordo com o presidente do Sintesaúde (Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Mato Grosso do Sul), Osmar Gussi, a situação tem se tornado recorrente. “Assim que o pagamento cair, voltamos aos setores, mas até agora não temos nenhuma posição. Estamos aguardando a presidente da Santa Casa para buscarmos explicações”, afirmou.
Segundo a administração do hospital, o problema está ligado à falta de repasses da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), que deveriam ter sido feitos até o quinto dia útil, encerrado na última sexta-feira (05/09). O sindicato reforça que a paralisação permanecerá até que os salários sejam pagos.
Apesar do movimento, setores como lavanderia, copa, cozinha e enfermagem seguem funcionando. “A assistência não está desassistida”, garantiu Gussi. Trabalhadores como Joventino Ribeiro, auxiliar de tapeceiro, relatam que a paralisação é a única forma de pressionar a direção. “Estamos desde sexta-feira sem pagamento e sem previsão”, disse.
Na manhã desta terça-feira, representantes do Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de MS) se reuniram com a Sesau, mas não houve resposta concreta sobre a liberação dos recursos.
Um novo ato de protesto foi marcado para hoje, às 12h30, em frente ao hospital.
Em nota, a Santa Casa informou que não conseguiu quitar a folha por falta de repasses referentes a serviços prestados à União e Município de Campo Grande. “Assim que os valores forem liberados, os pagamentos serão efetuados imediatamente”, declarou.
Problema recorrente
O atraso no pagamento não é novidade para os trabalhadores da Santa Casa. Em janeiro, cerca de 1,5 mil profissionais da enfermagem também protestaram pelo não pagamento dos salários de dezembro. Dois meses depois, o hospital suspendeu o recebimento de pacientes por superlotação, quando a unidade de urgência e emergência, projetada para 13 leitos, chegou a atender mais de 80 pessoas.
A crise financeira e estrutural da instituição continua gerando sobrecarga nos serviços e incertezas para quem depende do hospital e para os profissionais que nele atuam.






