Coordenador da missão nos EUA trabalha contra as barreiras impostas por Trump e aposta no diálogo

Em uma cartada importante para as negociações que tentam barrar a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, a missão oficial da Comissão de Relações Exteriores do Senado, presidida pelo senador Nelsinho Trad (PSD), iniciou na segunda-feira (28) uma série de reuniões em Washington, nos EUA. Coordenador da comitiva, Trad salientou que a atuação dos parlamentares visa, sobretudo, criar pontes para auxiliar o Executivo brasileiro a negociar diretamente com a Casa Branca.
“Estamos fazendo uma reunião de alinhamento com a embaixada brasileira e, a partir de então, as agendas pré-estabelecidas vão começar a acontecer. A nossa missão tem um intuito principal, que é distensionar essa relação entre Brasil e Estados Unidos com a nossa contraparte parlamentar”, afirmou. Trad explicou que, embora a missão não tenha poder de negociação direta, o diálogo com deputados e senadores norte-americanos é essencial para mostrar o impacto da tarifa nas relações comerciais bilaterais.
Na terça-feira (29), os encontros incluíram dois senadores do partido Democrata, de oposição, e depois com outros dois parlamentares do partido Republicano, do presidente Donald Trump. “Nós fomos recebidos pelos democratas Martim Heinrich, do Novo México, e Edward Markey, de Massachusetts. Trouxemos um trabalho reunindo dados que demonstram claramente, estado por estado dos parlamentares que a gente vai conversar, o que eles vão ter de prejuízo”, relatou o senador pedessista.
RESULTADOS
Trad evitou falar sobre resultados práticos da comitiva, que viajou sem previsão de se reunir com integrantes do governo Trump. “Se a gente vai conseguir alguma coisa ou não, só saberemos no dia 1º. Agora, algo aqui já conseguimos: a relação está distensionada”. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, reforçou. “Expectativa imediata não há, mas a política é isso mesmo. A gente sai para pescar e nem todo dia pesca o peixe. Mas, se não sai para pescar, não leva peixe nunca”.

Todos os membros da comitiva frisaram que o primeiro passo é abrir portas para conversar. Trad disse que os presidentes Lula e Trump precisam conversar sobre o assunto. “Chegará o momento em que a relação de alto nível precisará ser feita. É para ser negociado, são os interesses do nosso país que estão na linha de frente de tudo isso. É o que une partidariamente essa comissão. Tem muita gente aqui que gosta do Bolsonaro, tem gente aqui que gosta do Lula, mas todos gostam do Brasil”, afirmou.
POSTERGAÇÃO
Representantes da iniciativa privada americana sugeriram o envio de um novo manifesto à Casa Branca solicitando a postergação da cobrança da tarifa de 50% ao Brasil, prevista para entrar em vigor nesta sexta-feira, 1º de agosto. A ideia foi proposta durante uma reunião de senadores brasileiros com lideranças empresariais de setores como petróleo, farmacêutico, agroquímico, bens de consumo, siderúrgico, tecnologia, transporte e financeiro, realizada segunda-feira (28), na Câmara de Comércio dos EUA, em Washington.
A missão também conta com o apoio do ex-diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, que enxerga o momento como uma “janela estratégica” para o Brasil fortalecer laços com os Estados Unidos. Os senadores estiveram na residência oficial da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti, reunindo-se com representantes do Itamaraty, ministros da embaixada e Roberto Azevêdo.
À tarde, a agenda continuou na sede da U.S. Chamber of Commerce, com reuniões junto a lideranças empresariais e representantes do Brazil-U.S. Business Council. A ideia é demonstrar, com dados econômicos, que os dois países serão prejudicados com o tarifaço. Além de Nelsinho Trad, integram a delegação os senadores Esperidião Amin (PP-SC), Teresa Cristina (PP-MS), Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), Fernando Farias (MDB-AL), Carlos Viana (Podemos-MG), Jacques Wagner (PT-BA) e Rogério Carvalho (PT-SE).






