Apesar de reação do setor à taxação dos EUA, o Brasil pode atingir um novo recorde nas exportações de carne bovina em julho de 2025.

Dados parciais divulgados nesta semana indicam que os embarques do produto continuam em ritmo acelerado, superando os números registrados no mesmo mês do ano anterior, mesmo com a recente taxação aplicada pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros.
Nos primeiros nove dias úteis de julho, o país exportou 104,19 mil toneladas de carne bovina in natura, com uma média diária de 11,57 mil toneladas. Isso representa um aumento de 12,2% em relação à média diária de julho de 2024, que foi de 10,31 mil toneladas. Embora o ritmo tenha caído levemente em relação aos primeiros quatro dias úteis do mês (quando a média foi de 12,18 mil toneladas), o volume embarcado segue elevado e indica a possibilidade de mais um recorde para o setor. O recorde anterior para o mês de julho foi registrado em 2024, com 237,27 mil toneladas embarcadas.
O preço médio da carne bovina exportada também subiu. Em julho de 2025, o valor médio do quilo exportado ficou em US$ 5,53, representando uma alta de 25,6% frente aos US$ 4,40 registrados no mesmo mês do ano passado.
Setor reage à taxação dos EUA
Apesar dos bons números, o setor frigorífico brasileiro reagiu com preocupação à decisão do governo norte-americano de aumentar tarifas sobre produtos importados do Brasil, incluindo a carne bovina.
Para representantes das grandes indústrias frigoríficas, a medida é considerada um “retrocesso nas relações comerciais”, principalmente num momento em que os Estados Unidos se consolidaram como o segundo maior destino da carne brasileira — com crescimento superior a 100% nas importações em relação ao primeiro semestre de 2024.
Empresários ouvidos por entidades do setor alegam que a taxação reduz a margem de lucro nas exportações e pode pressionar o mercado interno a readequar os preços de compra do boi gordo, em especial nos contratos futuros. Isso já se reflete na Bolsa de Valores: o preço do boi gordo para outubro caiu ao menor nível desde fevereiro, aproximando-se da mínima histórica para o vencimento.

Carne mais barata para os brasileiros?
Com o impacto da taxação americana e a possível redução na rentabilidade das exportações, analistas do mercado de carnes avaliam que parte da produção destinada ao mercado externo pode ser redirecionada para o mercado interno. Isso, somado à pressão sobre o preço do boi gordo, tende a aumentar a oferta de carne no Brasil e, consequentemente, baixar os preços para os consumidores nos supermercados — ao menos temporariamente.
No entanto, especialistas alertam que esse possível alívio no bolso do consumidor dependerá também de outros fatores, como o comportamento da demanda doméstica, o câmbio e as negociações com outros mercados, como a China, que voltou a aumentar significativamente suas compras em junho e continua sendo o principal parceiro comercial da carne bovina brasileira.
A maior compra já registrada pela China ocorreu em outubro de 2024, com 157,3 mil toneladas. Se os embarques para o país asiático continuarem crescendo, isso pode compensar parcialmente os efeitos da perda de competitividade com os EUA, mantendo a pressão sobre os preços internos da carne.
Enquanto isso, o setor acompanha com atenção as próximas movimentações diplomáticas e comerciais, ao mesmo tempo em que se prepara para mais um mês de julho com exportações em alta.






