Um dia, e não faz muito tempo, o MDB (ou PMDB) dava as cartas e jogava de mão, na linguagem do pif-paf para definir o jogador que, em tese, era o mais sortudo, o maior vencedor.
Os tempos mudam.
Aquele MDB agora já não dá mais as cartas e também não joga de mão. Parece aquele jogador que tenta, tenta, tenta e não consegue ao menos livrar uma parada. É uma pena, porque o partido que era uma frente multi-ideológica foi importantíssimo para a redemocratização.
Em Mato Grosso do Sul, eleição era o melhor negócio político para o MDB, fazendo maiorias nas prefeituras e câmaras municipais, decidindo até quem era quem nas disputas municipais e estaduais. Hoje, até mesmo para um lugar de figurante nas chapas o partido encontra dificuldades.
Não era assim nos tempos de Wilson Barbosa Martins, Juarez Marques Baptista, Plínio Martins e outras figuras lendárias da política local. Irônica e paradoxalmente, o emedebismo começou a minguar exatamente no momento em que ganhava um fôlego renovador, quando Wilson Martins já acusava o cansaço dos anos e das refregas e abria espaço para o novo, com o promissor André Puccinelli.
Foi um voo meteórico e empolgante. Ano a ano, atropelando quem o encarasse, como um trator Puccinelli colecionava vitórias: deputado estadual, deputado federal, prefeito, governador duas vezes. E pronto! Fim da estrada gloriosa. Ao entregar o segundo mandato na chefia do governo, em 2014, a porta de saída da vida pública estava aberta por descalabros de uma gestão manchada pela incompetência de quase 200 obras inconclusas e o festival de denúncias de corrupção.
A derrocada já vinha sendo desenhada nas eleições, com a rejeição Ao emedebismo cada vez mais evidente, a ponto de o partido nem lançar candidatos em municípios que já estiveram sob seu comando. E quando outros partidos chegaram, como o PSDB, o PP, o PL e o PSD, aí então o velho e bom MDB perdeu de vez o encanto. Estava dependendo, e muito, de Puccinelli. E Puccinelli lhe faltou.
Agora, com uma tinta cinzenta, pesada, obscura, a tinta das denúncias de corrupção e da comprovada inépcia gerencial, Puccinelli e o que resta do MDB ainda tentam botar banca, como se ainda tivessem condições de impor o jogo. Para isto, no entanto, precisariam ter o que já perderam: as cartas. A opção será mesmo aceitar o posto de figurante e tentar um recomeço, o que, à primeira vista, parece improvável.
É, o MDB que ainda existe e respira em outros estados já não pode mais contar com Mato Grosso do Sul. A não ser que por aqui o partido de Ulysses Guimarães consiga reinventar-se ou vestir um disfarce de fênix para, quem sabe, renascer das cinzas.