Análise de vídeo levou influenciador a identificar com precisão a localização da deputada após sua fuga para os Estados Unidos
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/K/c/xcav5sSQi77bxCcGJHdw/carla-zambelli.png)
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi localizada na Flórida, nos Estados Unidos, graças à análise minuciosa de um vídeo publicado por ela mesma. Quem revelou sua localização foi o youtuber João Paschoal, conhecido como Geo Pasch, que utilizou técnicas de geolocalização semelhantes às usadas no jogo GeoGuessr.
No vídeo postado por Zambelli na terça-feira (3), ela não revelava onde estava, mas comentava sobre a ordem de prisão expedida contra ela. Com poucas pistas visíveis — basicamente dois prédios e algumas árvores —, o youtuber foi capaz de identificar que a gravação ocorreu no estacionamento de uma loja em Fort Lauderdale, na Flórida.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/z/D/2K6fN1RlKqoqjTOBHjfA/fort-lauderdale-florida.jpg)
“Quando vi o vídeo, percebi que era possível descobrir onde ela estava. Usei elementos como o modelo das placas dos carros, que seguem um padrão nos Estados Unidos, as palmeiras que indicam uma cidade litorânea e o formato dos prédios, um deles com sacadas grandes e outro com estrutura em formato de K”, explicou Geo Pasch.
Ele também precisou inverter a imagem, que estava espelhada, para obter a configuração correta do cenário. A partir daí, navegou pelo Google Earth, percorrendo virtualmente toda a costa da Flórida, de Miami até Fort Lauderdale, até encontrar exatamente os mesmos prédios que apareciam no vídeo.
“Foi um trabalho que levou cerca de duas horas. Apesar de parecer difícil, não foi dos piores que já enfrentei”, contou João, que compartilhou a descoberta nas redes sociais, com uma publicação que ultrapassou 2,5 milhões de visualizações.
FUGA CONFIRMADA
Zambelli havia saído do Brasil no dia 25 de maio, cruzando a fronteira terrestre com a Argentina e, de lá, embarcando para os Estados Unidos. A fuga ocorreu dias após sua condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos e 8 meses de prisão, por crimes relacionados à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Após sua saída do país, o ministro Alexandre de Moraes ordenou sua prisão preventiva, bloqueio de passaporte, inclusão na lista da Interpol e suspensão de seus perfis nas redes sociais. Na decisão, Moraes afirmou que “a fuga caracteriza a intenção de se esquivar da aplicação da lei penal”.
Carla Zambelli, por sua vez, justificou sua ida aos EUA como uma viagem para tratamento de saúde e afirmou que irá solicitar licença do mandato. Ela classificou a ordem de prisão como “ilegal, inconstitucional e autoritária”.
PROCURADA INTERNACIONAL
A Polícia Federal solicitou oficialmente à Interpol a inclusão da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) na lista de Difusão Vermelha — um alerta internacional que permite a localização e prisão de foragidos em qualquer um dos países membros. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (4) pelo diretor-geral da PF, delegado Andrei Passos, que acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em viagem oficial a Paris.
O pedido foi enviado por volta das 17h para a sede da Interpol em Lyon, na França, com base na decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que decretou a prisão preventiva da parlamentar.
Atualmente, o comando da Interpol está nas mãos do delegado brasileiro Valdecy Urquiza, secretário-geral da organização. Ele é o primeiro brasileiro e também o primeiro representante de um país em desenvolvimento a ocupar este cargo desde a fundação da entidade, há mais de um século.
A partir de agora, o pedido passará por uma análise da secretaria-geral da Interpol, que avaliará critérios de admissibilidade. Parte desse processo é verificar se há indícios de perseguição política, racial ou por nacionalidade — uma etapa obrigatória para todos os casos que envolvem a Difusão Vermelha.
Se a solicitação da Polícia Federal for aprovada, os dados de Carla Zambelli serão inseridos no sistema da Interpol, ficando acessíveis às autoridades policiais dos 196 países membros, que poderão cumprir o mandado de prisão.








