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Campo Grande, 29 de agosto de 2026
editorial

Transporte é coletivo, com jogadas individuais

  • Geraldo Silva
  • maio 7, 2025
  • 9:43 am
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Está mais do que explícita e escancarada a despudorada tentativa da Prefeitura de Campo Grande de tirar de seus ombros a responsabilidade pelo descalabro que se tornou o serviço de transporte coletivo na Capital. E com a cumplicidade da Câmara de Vereadores, cuja maioria faz parte da bancada da prefeita Adriane Lopes.

A Comissão Parlamentar de Inquérito instalada pelo Legislativo para apurar se é da prefeitura ou do Consórcio Guaicurus o saldo negativo desta concessão está impulsionando o chamado “efeito bumerangue”. Pode a CPI dar em nada, mas já serviu ao menos para mostrar que a Casa também está contaminada pelo imenso débito social e humanista que o poder público vem acumulando com os milhares de usuários.

Rigorosamente, o conjunto de responsabilidades não-assumidas e não-cumpridas integralmente é compartilhado pelo Consórcio Guaicurus e pelos poderes Executivo e Legislativo. Porém, é preciso ir além e esperar ou cobrar da CPI que, em havendo margem institucional, convoque o Tribunal de Contas e o Ministério Público para responder por aquilo que lhes cabe.

Afinal, o contrato que gerou esta pesada conta de irresponsabilidade tem seus custos lastreados pelo orçamento municipal, ou seja, dinheiro dos cofres públicos, dinheiro que sai do bolso do contribuinte. Se no frigir dos ovos o custo-benefício de um serviço mal prestado prejudica quem paga e beneficia quem receber, e recebe muito bem, já passou da hora de chamar à razão todas as instituições envolvidas direta ou indiretamente com este que é um dos piores frutos de um desgoverno na história local.

E as coisas nefastas não param por aí. Já é de domínio dos bastidores que a concessão para explorar o lucrativo serviço já estaria sendo preparada, na maciota, para cair nas mãos de abençoados prepostos que atuam como operadores de uma gulosa confraria política. E isto enquanto tem gente que morre assassinada dentro de ônibus, ponto de embarque que cai sobre os usuários, ruas sem manutenção que causam acidentes de trânsito e danificam veículos e causam até mortes, entre outras “paradas” do transtorno coletivo da Cidade Morena.

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