“Nenhum campo-grandense que se preze quer que um gestor maltrate este lugar”
A constatação documentada de que a gestão de Adriane Lopes é a maior desperdiçadora de recursos públicos na história de Campo Grande não é motivo de comemorações, nem mesmo para os seus mais implacáveis adversários políticos ou, eventualmente, pessoais. Se adversidades existem e são naturais, inclusive essenciais à saúde das democracias, o mesmo não se aplica ao malquerer, ao ódio, à vingança e à torcida pelo “quanto pior, melhor”.
Nenhum cidadão ou cidadã campo-grandense que se preze e também preze os bons valores humanos, que ame a cidade onde mora e que cumpra as suas obrigações, vai querer que um gestor ou gestora maltrate este lugar, ainda que hajam ideologias e posições opostas. Estas observações tornam-se imprescindíveis para sustentação de uma realidade constrangedora e das mais dolorosas: Campo Grande está em passo acelerado de retrocesso, e há mais de 12 anos.
O caos começou a assumir esta baita dimensão após as eleições de 2012, com a eleição de Alcides Bernal e do vice Gilmar Olarte. O primeiro, comportando-se como um “professor de Deus”, não conseguiu livrar-se de gente que minava as suas condições de governabilidade. Não soube impedir ou não teve pulso firme para conter a corrosão política e administrativa que escancarou o caminho do golpe. Cassado, sua vaga trouxe a emenda pior que o soneto da tragédia: a posse de Olarte.
Após os escândalos, trocas de comando, prefeitura financeiramente entrando no vermelho, chegou ao fim o desastroso ciclo Bernal-Olarte. Era a chance que a eleição de 2016 deu aos seus vencedores, Marquinhos Trad e a vice Adriane Lopes, de sepultarem aquela tragédia política e lançarem seus responsáveis ao baú popular do esquecimento. Ledo engano. Fizeram pior. Marquinhos ainda conseguiu um respiro salvador: depois de perder a eleição para governador, candidatou-se à vereança e ganhou sua vaga.
Campo Grande, no entanto, só piorava. Marquinhos saiu deixando a prefeitura financeira e gerencialmente arrebentada. Adriane assumiu o seu lugar, efetivou-se no poder e vendeu ao povo a doce e miraculosa fantasia, prometendo fazer a diferença e impulsionar o imaginário da cidade a lançar no vazio do passado os nomes e as gestões de Bernal, Olarte e Marquinhos. Mas, pelo conjunto sofrível da obra, a prefeita garante ingresso para entrar no vácuo do esquecimento para onde quis atirar seus antecessores.

