Com espírito visionário, o maior pecuarista individual do país construiu um império na Amazônia e se tornou referência em gestão, sustentabilidade e inovação no agro.

Roque Quagliato, amplamente conhecido como o “Rei do Gado”, é um dos nomes mais emblemáticos do agronegócio brasileiro. Com uma trajetória marcada por ousadia e visão estratégica, ele deixou o interior de São Paulo nos anos 1970 para apostar no desconhecido sul do Pará — decisão que mudaria para sempre a história da pecuária de corte no Brasil.
Filho de uma família tradicional do setor sucroalcooleiro, Roque decidiu trilhar um novo caminho durante o período de incentivo à ocupação da Amazônia. Aos 33 anos, desembarcou em Sapucaia (PA), uma terra sem infraestrutura, e iniciou o ambicioso projeto da Fazenda Rio Vermelho com apoio da SUDAM. A floresta deu lugar a pastagens, e dali nasceu um dos maiores complexos agropecuários do país.

Construção de um império pecuário
A expansão foi rápida e estruturada. Com os irmãos, Roque fundou o Grupo Quagliato, que alcançou 150 mil cabeças de gado nos anos 2000. Em 2023, com a aquisição de mais 27 mil hectares, o grupo somou 112 mil hectares no Pará, consolidando a liderança de Roque como maior pecuarista individual do Brasil, com um rebanho de cerca de 240 mil cabeças de gado de corte.
O grupo também atua em São Paulo, Paraná e Goiás, com negócios em pecuária e na produção de etanol, mostrando sua força como um império multissetorial.
Inovação, sustentabilidade e gestão profissional
Quagliato foi pioneiro na intensificação sustentável da produção a pasto, defendendo a filosofia de “produzir mais, preservando o meio ambiente”. Introduziu o manejo rotacionado de pastagens, controle de lotação, uso de tecnologias para controle de invasoras e aposta em integração lavoura-pecuária. Além disso, investiu pesado em melhoramento genético, sendo referência na criação de gado Nelore de alta linhagem.
Sua gestão é marcada por profissionalismo, solidez e foco na resiliência financeira. Mesmo nos momentos de baixa do mercado, o grupo manteve liquidez e capital próprio, garantindo estabilidade e crescimento contínuo.
Reconhecimento e influência
Com mais de 80 anos, Roque segue atuante e respeitado no meio agro. Em 2023, foi homenageado pelos 50 anos do Grupo Rio Vermelho e segue inspirando novas gerações de produtores. Participou de movimentos políticos, como a proposta de criação do Estado do Carajás, e mantém diálogo próximo com entidades do setor.
Entre progresso e desafios ambientais
Sua trajetória também reflete os desafios da expansão agropecuária na Amazônia. O grupo adotou práticas ambientais, como reservas legais superiores às exigidas, adesão ao CAR e preservação de corredores ecológicos. No entanto, enfrentou embates com órgãos públicos e ONGs em temas como desmatamento e fiscalização trabalhista — experiências que levaram a uma adaptação do modelo de produção.
Roque reafirma seu compromisso com a sustentabilidade e defende que é possível produzir com responsabilidade ambiental. Sua filosofia de “intensificar para preservar” resume a virada de mentalidade que influencia o futuro do agro no país.
Legado vivo
A história de Roque Quagliato é a própria narrativa da transformação do Brasil em uma potência agropecuária. Seu legado vive nas fazendas, nas práticas sustentáveis e no impacto que teve ao moldar um novo modelo de produção. O “Rei do Gado” é mais do que um símbolo de sucesso: é uma ponte entre tradição e inovação no campo brasileiro.








