Aumento do dólar e queda das bolsas: Impactos da retaliação chinesa. Temores de guerra comercial crescem após anúncio de tarifas recíprocas.

Ontem (04/04) o dólar registrou sua maior alta em mais de dois anos, subindo 3,72% e fechando a R$ 5,8382, a maior elevação percentual em um único dia desde novembro de 2022.
Em contrapartida, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, sofreu uma queda de 2,96%, atingindo 127.256 pontos, a maior desvalorização desde dezembro do ano passado.
A escalada das tensões comerciais se intensificou após a China anunciar tarifas recíprocas de 34% sobre todas as importações dos EUA, a serem implementadas a partir de 10 de abril. Em resposta, o presidente Donald Trump afirmou que a China “jogou errado”.
Bruna Centeno, sócia da Blue3 Investimentos, destacou que a incerteza gerada por essa política comercial pode impactar preços, taxas de juros e as perspectivas de crescimento econômico global. Breno Falseti, da Rubik Capital, alertou que a intensificação da guerra comercial pode afetar negativamente a atividade econômica, especialmente nos Estados Unidos.
Os mercados globais reagiram com quedas acentuadas. Nos EUA, o S&P 500 caiu 5,63%, o Nasdaq 100 recuou 5,52% e o Dow Jones teve uma queda de 5,09%. As bolsas europeias também enfrentaram perdas significativas, com o índice pan-europeu Stoxx 600 caindo 5,1%. O FTSE 100 de Londres e o DAX de Frankfurt recuaram 4,95%, enquanto o CAC 40 de Paris caiu 4,26%. Na Ásia, o índice Nikkei despencou 2,75%, atingindo seu menor nível desde agosto do ano passado.
A situação se agravou com a forte desvalorização das ações de bancos, especialmente no Japão, que registraram a pior perda semanal em 40 anos. As ações dos três principais bancos japoneses caíram mais de 20%, a maior queda desde a crise financeira de 2008.
A guerra comercial se intensificou após Trump anunciar tarifas adicionais, elevando o total de novas taxas para 54%. Eduardo Moutinho, analista do Ebury Bank, ressaltou que a resposta da China aumentou as preocupações do mercado, não apenas pelo impacto econômico direto, mas também pela possibilidade de uma escalada adicional das tensões comerciais.
Diante desse cenário, os investidores estão se afastando de ativos de maior risco, buscando segurança em meio à incerteza. Embora as moedas de países emergentes tenham se beneficiado da fuga de risco global, o movimento de aversão ao risco também afetou essas divisas, com o dólar se valorizando em relação a várias moedas emergentes.
Os mercados também estão atentos aos dados de emprego nos EUA, que mostraram a criação de 228.000 postos de trabalho em março, superando as expectativas. Operadores agora precificam pelo menos quatro cortes de juros pelo Federal Reserve neste ano, em resposta à possibilidade de uma recessão econômica.